Possuindo um incomensurável acervo de informações históricas, passando de 11 mil assuntos (entre eles, mais de 300 dados biográficos de pioneiros santanenses e mais de 500 fotos históricas que registram o crescimento demográfico e social da cidade portuária do Amapá).



quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Como surgiria a cidade de SANTANA

A nossa atual cidade portuária começaria aparecer no final da década de 1940.
Depois que a empresa Indústria e Comércio de Minérios Ltda. (ICOMI), com sede em Belo Horizonte (MG), assinou em dezembro de 1947, com o então Governo do Território Federal do Amapá, o contrato para a exploração de manganês, foi logo realizado inúmeros estudos técnicos para a localização de áreas onde seriam construídos o Porto Industrial da mineradora, assim a demarcação por onde atravessaria a futura Estrada de Ferro do Amapá.
Em meados de 1948, a ICOMI iniciou a chamada de operários que quisessem trabalhar no setor de mão-de-obra da empresa, com objetivo de levantarem barracões numa área situada às margens do Rio Amazonas (onde ficaria um cais estratégico), e numa outra área situada na região de Serra do Navio (onde ficava as reservas manganíferas, que haviam sido descobertas em 1945, pelo regatão Mário Cruz).
A área onde ficava situado o cais de embarque e desembarque de equipamentos para a instalação da ICOMI na região era de frente com a Ilha de Santana, e durante os anos de 1948-1949, recebeu alguns cargueiros nacionais e estrangeiros que vieram trazendo materiais para sua montagem administrativa e operacional.
Ainda no final de 1949, já era possível observar pequenas casas construídas de forma rudimentar, que ficavam ao lado do canteiro de obras do futuro Porto de minérios da ICOMI. Vale ressaltar que essas casas eram construídas com folhas de papelão e restos de compensados, estes que serviam de embalagens nos materiais que chegavam constantemente para a ICOMI.
Em julho de 1950, já existiam em torno de 10 casas, onde residiam alguns operários que montavam lentamente o Porto da ICOMI, enquanto que os encarregados da mineradora eram acomodados em um alojamento que ficava em um dos barracos já levantados na área interna da mineradora, onde também existia um refeitório com banheiros, que ficava de frente com o Rio Amazonas.
Segundo um depoimento concedido pelo Senhor Clóvis Gadelha (falecido em 2003, aos 67 anos), em 1951, a ICOMI não tinha mais do que 30 funcionários que prestavam serviços na construção daquele porto, enquanto que o restante – cerca de 40 homens – se encontrava participando do levantamento da estrada onde seria construída a ferrovia. Veja o que diz depoimento dado á minha pessoa:

“Quando me convidaram pra descer esse lado do Rio Amazonas (vindo da região de Santarém, no Pará), disseram que haviam descoberto manganês e ouro no Amapá. Como eu tinha um pouco mais de 20 anos, aqui cheguei com outros seis colegas. Passei primeiro em Macapá, onde fiquei por uns 03 dias e depois segui pra cá, através de um barco que nos trouxe, por ordem da empresa, que tinha pressa em contratar mão-de-obra para terminar a construção desse porto.
Logo que chegamos, estranhei muito o fato dos trabalhadores ainda não terem sequer levantado as estacas para construção de um ancoradouro. Havia somente um pequeno trapiche de madeira, que servia pra receber pessoas e mercadorias. Quase todos que trabalhavam aqui (diga-se na mineradora) ficavam o dia todo limpando os campos por ia passar a ferrovia. E trabalho não faltava por aqui.
Quando terminava o dia de serviço, haviam algumas casas que ficavam do outro lado do depósito de materiais da ICOMI (onde hoje está situada a obra inacabada do Terminal Hidroviário de Santana) e lá moravam alguns trabalhadores que se recolhiam depois das 5 da tarde, voltando somente pela manhã, já por volta das 7hs.
Só quando a empresa precisou aumentar o seu espaço para construir novos armazéns (isso em 1955), foi preciso retirar essas famílias da beira do rio e colocá-las em outra área. (...)”

A área em questão tratava-se de 04 quadras que foram cedidas, em outubro de 1956, para os familiares de operários da ICOMI, que, com o passar do tempo, foi acompanhando um crescimento populacional descontrolado quando a mineradora deu o início oficial de suas atividades na região.

Ainda na Ilha de Santana,...

Mesmo distante da cidade de Macapá, o pequeno vilarejo que existia na ilha de Santana era composto por cerca de 50 famílias quando houve a instalação do Governo do Território Federal do Amapá, em janeiro de 1944.
Ainda naquele ano, o governador nomeado para administrar esse novo Território brasileiro, Capitão Janary Gentil Nunes sancionou o Decreto n.º 03/44, criando uma escola primária na Ilha de Santana e nomearia o professor Rafael Arcanjo Picanço para lecionar nessa escola, que passou a funcionar provisoriamente numa cabana levantada por moradores locais, onde somente havia a coberta (sem paredes). A escola ganharia seu prédio próprio dois anos depois, sendo inaugurado em 21 de novembro de 1946, com a presença de diversas autoridades territoriais e até um representante do Ministério da Educação e Cultura.
Para quem não sabe, também havia um educandário interno, ou seja, um orfanato que era mantido pela Prelazia de Macapá (atual Diocese de Macapá), tendo o Padre Simão Corridori como diretor dessa instituição.
O Orfanato “São José”, como era chamado, abrigava crianças (em sua maioria meninos) entre 05 e 10 anos, órfãos de pai ou mãe, e até deixados por famílias carentes. Havia ocasiões em que o padre Simão chegava a recolher alguns deles em suas viagens religiosas pelo interior do Território.
Por mais de uma década, o Orfanato abrigou dezenas de crianças que receberam uma das melhores educações já descrita pelos pedagogos da época. Mas por infelicidade, a instituição, que se manteve entre 1950 e 1960, foi obrigado a fechar suas portas em 1961 por falta de apoio material e logístico, sendo preciso até mesmo vender o terreno onde funcionava o educandário.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ilha de Santana, nos séculos 19/20

A comunidade formada na Ilha de Santana continuou se mantendo estável, em se tratando de crescimento populacional, durante o século seguinte à sua fundação.
Entre os fatos históricos que marcaram, destaca-se o período da Cabanagem, quando rebeldes que não aceitavam o novo Governo Republicano instalado no país, escolheram a Ilha de Santana como refúgio.
Por está distante há mais de 03 léguas de Macapá, um grupo contendo mais de 200 cabanos se fixam na Ilha de Santana em novembro de 1835, fugindo da repressão militar regida na época. Mas, segundo registros, em menos de um mês, tais rebeldes foram expulsos daquele por tropas lideradas pela Praça Militar de Macapá, servindo apenas para algumas famílias que permaneceram cultivando agricultura e silvícolas.
A partir de meados do século XX, que o local passou a servir para a construção de uma Casa de Campo mantida pelos Missionários da Sagrada Família (MSF), que em 1941, levantou 03 barracões que serviriam como Retiro Religioso até dezembro de 1948, quando aqui chegaram os primeiros padres do Pontifício Instituto de Missões Estrangeiras (PIME), que depois decidiram pela desativação daquela Casa de Campo.

Fundação oficial da Ilha de Santana

Um pouco antes dessa mudança de local, ao retornar de uma inspeção real pelo Rio Negro, o governador do Grão-Pará Francisco Xavier de Mendonça Furtado aportou em Macapá, acompanhado de uma grande comitiva que, em 04 de fevereiro de 1758, decretou pela instalação da Vila de Macapá.
Encerrada a solenidade, o governador Mendonça Furtado, subiu o Rio Amazonas, onde se deparou com o povoado de Ilha de Santana, liderada pelo comerciante português Portilho de Melo, onde foi recepcionado por centenas de indígenas.
Nas poucas horas que permaneceu no local, Mendonça Furtado optou pela fundação oficial daquele povoado, denominando-o de Ilha de Santa Ana, em homenagem à devoção que o português Portilho de Melo tinha por Nossa Senhora de Santa Ana.

Mas quem era FRANCISCO PORTILHO DE MELO?


O Governador do grão-Pará Mendonça Furtado preferiu fazer amizade com Portilho de Melo, que tê-lo como inimigo

Foi um célebre contrabandista português, que colonizou a região do Rio Vila Nova (antigamente denominada de “Santa Maria da Madre de Deus do Anauerapucu”), em Mazagão. Nascido em Outubro de 1699, em Portugal, veio para o Brasil ainda cedo. Em 1750, segue para o Rio Negro (baixo do Rio Amazonas) a fim de aprisionar selvagens, destinados a serem empregados pelos colonos portugueses, nas tarefas de roça e fortificações. Subjuga-se 500 nativos. Esses “indígenas” passariam a ocupar uma ilha situada a 03 léguas da Vila de São José de Macapá, na ocasião em que também moravam alguns imigrantes portugueses, mestiços e até mesmo índios. Informações históricas demonstram que Portilho de Melo fugiu para cá das autoridades paraenses, pois, dedicava-se comercialmente à clandestinidade. Mercadores de Belém ajudavam-no quando se interessavam em mercadoria dos braços indígenas. Cansado das perseguições e sabendo que tinham até decretado sua prisão, pediram para o comerciante português cooperar para o poder público com a promessa de que esqueceriam suas atitudes ilegais. Mas, no entanto, Portilho juntou diversas tribos e decidiu morar na ilha às margens de um igarapé, em vez de residir em Macapá. Ou seja, opinou em viver cerca de aldeias indígenas, para não ficar sujeito aos rigores da administração militar local. Cita-se, historicamente, que o comandante militar da Praça de Macapá, Sargento-mor Manoel Pereira de Abreu, levou ao conhecimento do Governador do Grão-Pará, Diogo Mendonça Corte Real, pela carta de 26 de setembro de 1750, sobre a presença de um mestiço, foragido da justiça paraense, de nome Portilho de Melo. Conhecedor de toda a historia de ilegalidade praticado pelo português, o governador Diogo Mendonça, considerou ser melhor tê-lo como aliado e não como inimigo o que Francisco Xavier de Mendonça Furtado também não se opôs. Por volta de janeiro de 1752, o Governador Diogo Mendonça mandou construir uma casa onde moravam alguns portugueses e famílias indígenas, colocando ali uma patrulha para vigilância permanente contra possíveis invasões. Em 03 de dezembro de 1753, após assumir o governo paraense, Mendonça Furtado escreveu ao Rei de Portugal, relatando os problemas provocados por 02 portugueses, temidos em todo o sertão e muito protegidos pelos jesuítas. Esses portugueses eram Pedro Braga e Francisco Portilho de Melo.

A Batalha e Seu Perdão – Após tomar informações sobre o abundante comércio clandestino que se expandia pela Amazônia, onde um dos maiores negociadores era justamente Portilho de Melo, o governador Mendonça Furtado enviou ordens ao Forte do Rio Negro para ali realizarem severas fiscalizações na região. Sabedor dos fatos, Portilho iludiu a todos e chegou muitos dias depois, à Ilha de Santana, onde resolvera, durante a viagem, colocar 06 homens em frente à foz do Rio Matapí e 06 no Rio Vila Nova (Anauerapucu), fixando-se contra uma invasão mútua. Mas os planos do governador Mendonça Furtado acabaram sendo outros. Decidiu apenas solicitar uma listagem completa dos indígenas que residiam na Ilha de Santana e se poderia contar com apoio de Portilho na liberação de mão-de-obra para a Corte Portuguesa. O acordo foi aceito. Em 21 de março de 1755, foi baixada uma resolução no Grão-Pará, concedendo o perdão a Portilho de Melo, que passou a se integrar novamente à sociedade. Sendo agora o encarregado da aldeia de Sant’anna, o português pediu ao governador Mendonça Furtado para transferir de local o núcleo santanense que padecia pela febre amarela. O pedido somente foi aceito em 1770, quando o surto de endemias (malária e febre amarela) já havia matado centenas de indígenas na Ilha de Santana. Portilho de Melo conduziu sua gente para a margem esquerda do Rio Anauerapucu, enquanto que outras famílias se agregaram na margem esquerda do Rio Mutuacá. O encarregado dessa mudança foi o Capitão Inácio da Costa de Morais Sarmento, que considerou as novas áreas como “terras altas, apropriadas, produtivas e salvo de endemias”. Assim, foram abertas ruas e travessas e levantadas habitações para condicionar a vida desses moradores.

ANTES, ERA APENAS A ILHA DE SANTANA...


Os primórdios da origem histórica do município de Santana iniciaram na ilha que leva o mesmo nome da atual cidade. Localizada bem em frente do cais e Porto Organizado de Macapá, na margem esquerda do rio Amazonas, ainda em meados do século XVIII.
Em 1730, o Rei de Portugal, Alexandre Freire, cogitou pela construção de uma fortificação numa situada na subida do rio Amazonas, como forma de garantir proteção colonial. Em menos de uma década depois, a tal fortificação seria erguida, porém, em um local mais próximo (não exatamente na ilha), sendo denominada de “Forte Cumaú” (fontes citam como “Forte Camaú”).
Somente a partir de 1752, com a chegada do português Francisco Portilho de Melo escravocrata que recebera do Governador do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, a concessão das terras da Ilha de Santana, então pertencente àquele Estado, por altos serviços prestados à Coroa Portuguesa, mesmo apesar de ser perseguidos pelas autoridades portuguesas, no entanto, devido ser um “negociador ilegal de escravos”, recebia grande apoio do Governo paraense.

AVISO AOS LEITORES

Caros internautas, em virtude das comemorações pela passagem do aniversario da cidade Santana (no Dia 17 de dezembro), durante a semana estarei publicando diversas informações históricas sobre o seu surgimento e ficarei agradecido pelos acessos. Porém, se for preciso utilizarem tais informações para pesquisas pedagógicas e escolares, apenas solicito que divulguem a fonte pesquisada (ou seja, meu blog) como forma de garantir e reconhecer esse trabalho que faço para preservar a nossa história e assim repassar mais dados para aqueles que valorizam nossos registros.
Muito obrigado,

Emanoel Jordânio - Pesquisador-blogueiro