Possuindo um incomensurável acervo de informações históricas, passando de 11 mil assuntos (entre eles, mais de 300 dados biográficos de pioneiros santanenses e mais de 500 fotos históricas que registram o crescimento demográfico e social da cidade portuária do Amapá).



domingo, 5 de outubro de 2014

Os Primeiros Vereadores Eleitos de Santana Para Macapá


Os dois do meio são os vereadores Redimilson Nobre e Rosemiro Rocha, cercados por jornalistas em evento ocorrido em 1986, em Santana.

Em janeiro de 1982, o recém-criado distrito de Santana experimentaria os primeiros passos de conquistar seus representantes para assumirem vagas no legislativo local. 

Após ser elevada para a categoria de distrito macapaense, através da Lei Municipal n.º 0153 de 31 de agosto de 1981, sancionado pelo então prefeito de Macapá Murilo Agostinho Pinheiro, a pequena cidade de Santana já continha um número superior de 45 mil habitantes distribuídos em quase 10 bairros, o que na visão do Poder Público deveria receber maiores atenções das autoridades políticas para assim desenvolverem um plano de melhoramento social nessa região que se expandia demograficamente. 

Porém, essa preocupação somente partiria de pessoas que conhecessem profundamente ou convivessem diariamente com os problemas que afligissem o povo santanense. 

Até o começo desse ano (1982), Santana tinha apenas um representante político que, segundo os pioneiros da região e profundos debatedores da política amapaense, não respondia diretamente pela cidade (apesar de possuir uma residência em Santana). Mesmo por que esse representante se mantinha na maior parte do tempo exercendo sua legislatura na capital amapaense (Macapá). 

Abrindo esse ponto em questão, foi-se vendo novos nomes para a política local. Comerciantes conhecidos e moradores antigos de Santana foram os primeiros a serem citados em tímidas reuniões que aconteciam em igrejas e escolas da nossa pacata cidade portuária. Mas houve dois nomes que correriam pelas bocas mais populares dos bairros santanenses: Redimilson Anselmo Nobre e Rosemiro Rocha Freires. 

O primeiro era oriundo de uma família pioneira de Santana, na qual era portador de uma intelectualidade reconhecida por inúmeras pessoas (entre elas, políticos respeitados da época, como Jarbas Gato e Geovani Borges), sendo formado em magistério superior e com um modo de discursar que liderava centenas de ouvintes. O segundo, que era na verdade um trabalhador autônomo, era visto como um cidadão bastante popular entre os santanenses por saber formar rapidamente amizades e esbanjar uma enorme simpatia entre os meios familiares da cidade. 

A campanha desenvolvida individualmente por esses novatos na política local era muito focada pelo lado assistencial, algo que resultaria num reconhecimento posterior nas urnas. O contato direto e compreensivo com os eleitores santanenses fizeram com que aquele professor e o “marchante” fossem democraticamente escolhidos naquele no dia 16 de novembro de 1982 (um domingo), num pleito eleitoral que ainda não contava sequer com 10 seções distribuídas no distrito de Santana (haviam somente 07 estabelecimentos de ensino no pequeno distrito portuário). 

Rosemiro Rocha seria eleito com 1.265 votos válidos, enquanto que o professor Redimilson Nobre conquistaria 1.223 votos válidos. A legislatura de ambos iniciou em janeiro de 1983, após serem empossados nos referidos cargos, onde esses edis apresentariam semanalmente inúmeros requerimentos que solicitavam melhorias – nas áreas de saúde e infraestrutura – para o distrito de Santana. Entre os primeiros pedidos protocolados em 1983 estava a solicitação de abertura de novas ruas e avenidas no distrito em virtude do surgimento de novos bairros que se expandiam desordenadamente pela região. 

Esses pedidos, em sua maioria, levavam semanas (ou até meses) para serem atendidos pelo Poder Público municipal, o que motivou mais ainda alguns Deputados Constituintes do Amapá (como Raquel Capiberibe e Anníbal Barcellos) a protocolar junto à Câmara Federal (DF) um Projeto de Lei que criasse autonomia política para Santana, como forma de garantir condições administrativas para que seu próprio gestor coordenasse e gerenciasse diretamente com recursos externos para o melhoramento daquela cidade. Esse futuro Projeto de Lei somente seria aprovado em dezembro de 1987, pelo Presidente da República José Sarney, transformando assim o distrito de Santana em município amapaense.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Santana Esporte Clube: Nasce um time no Porto


Conhecido como "Canário do Porto" ou "Canário Milionário", o Santana Clube conquistou 07 campeonatos locais de futebol, sendo 4º time amapaense com mais títulos.


Fundado em 25 de setembro de 1955, no antigo “Alojamento Intermediário” (que posteriormente foi depósito de móveis da empresa ICOMI), pelos seguintes desportistas: Jaime Cerqueira, Manoel Cesário, Walter da Rocha Leal, Oswaldo Ildefonso dos Santos, Hector Manoel dos Santos, Carlos Alberto Lavareda, José Nicolau de Oliveira, Raimundo Gemaque de Jesus, José Gomes de Oliveira, Expedito Vasconcelos e Arlindo Pereira. 

Inicialmente recebeu a nomeclatura de “ICOMI Esporte Clube”, disputando seu primeiro jogo em 1956 contra o América Esporte Clube, da Federação Amapaense de Desportos (FAD), empatando em 0 x 0. 

Camisa branca, com faixa diagonal azul, cruz de malta no peito, calções brancos e meias pretas com cano azul e branco, foi o seu primeiro uniforme. 

Após os primeiros jogos, seus fundadores resolveram mudar o nome do clube para “SANTANA ESPORTE CLUBE”, passando sua camisa a ser toda amarela com gola verde. Os meses restantes de 1955 e durante o ano de 1956, os sócio-fundadores foram seus dirigentes. Somente em princípios de 1957 que, em vista dos sucessos esportivos, e sentindo a necessidade de integrar-se ao esporte profissional do Amapá, o Santana filiou-se à FAD, sendo que antes procurou organizar seus Estatutos e eleger sua primeira Diretoria, tendo à frente Jesus Ferreira Jomar. 

Data daí o seu 3º uniforme, que vigora até os dias de hoje, com as seguintes cores: vermelho, amarelo e preto. 

Historicamente, conquistou o Campeonato Amapaense de Futebol dos seguintes anos: 1960,1961, 1962, 1965, 1968, 1972 e 1985. 

Vale registrar que o Santana Esporte Clube foi pioneiro ao promover a vinda de grandes times esportivos do Norte e Nordeste do Brasil, assim como também de alguns times cariocas, como: Paissandu, Remo, Tuna, Júlio César, ex-Combatente (PA), Ferroviário (MA), Esporte Clube Recife (PE), e até Fluminense e Olaria (RJ). 

Foi o clube do então Território Federal do Amapá que mais ficou conhecido fora de seus limites locais, recebendo da crônica esportiva do Norte, o apelido de “Canarinho Amapaense”, que depois passou a ser “Canário Milionário”. 

Em janeiro de 1998, o clube começou a se dissolver, após a ICOMI encerrar suas atividades de exploração de minério de manganês, devido a carência do produto, o que obrigou a entidade, na qual era muito dependente da mineradora, ter que “desmontar” o clube, o que causou uma grande insatisfação por seus associados e torcedores. 

Diversas reuniões e assembléias foram realizadas em prol do retorno do clube, mas no início do ano seguinte (1999), a diretoria da ICOMI determinou pelo término da entidade devido todo o patrimônio pertencer à mineradora. 

A Volta do “Canário”
Passado mais de uma década após as inúmeras e frustradas tentativas de trazer novamente o Santana Esporte Clube para os campos de futebol, quando o ex-presidente do Amapá Clube, Gerson Fernandes anunciou em março de 2008, a decisão de reerguer um dos clubes mais considerados do esporte regional. 

Gerson Fernandes (foto), grande idealizador em recuperar
um orgulho do esporte amapaense, participando das
comemorações dos 55 anos do Santana Esporte Clube.
Depois de tentar sua volta para a presidência da “Zebra Solitária”, Gerson acabou recebendo o convite para assumir a vice-presidência do clube, porém, percebendo que suas idéias técnicas estavam sendo restringidas, na qual lhe obrigou a se afastar do clube por tempo indeterminado. 

Ainda no primeiro semestre de 2008, realizou diversas reuniões com a presença de desportistas, ex-torcedores e até mesmo com ex-dirigentes do “Canário” visando trazer a grandeza deste time. 

Em meados de 2008, Gerson providenciou contatos imediatos junto à Federação Amapaense de Futebol (FAF), que tinha como presidente o então deputado estadual Roberto Góes (atual prefeito de Macapá), para buscar os procedimentos necessários para reorganizar esse clube santanense. 

No início de agosto corrente, foi possível reunir um pouco de 200 pessoas que participariam da Ata de reconstituição do Santana Esporte Clube e aprovariam um Estatuto provisório que seria somente utilizado para garantir seus direitos técnicos e esportivos. 

Em 18 de setembro de 2008, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) emitiu para o “Canário Amapaense” um certificado de autorização para a prática de futebol profissional, depois de preencher todos os requisitos legais admitidos pela Confederação. 

Em 22 de novembro corrente (2008), após efetuar uma seleção de jovens jogadores, o Santana Clube faz sua reestréia no Campeonato profissional de futebol adulto, enfrentando o Paissandu (PA), no estádio Augusto Antunes, na Vila Amazonas. Embora tenha empatado (1 x 1), o time santanense não conseguiu se classificar para o Campeonato regional. 

Uma Trajetória de Vitórias pelo Amapá
Em quase seis décadas percorrendo os campos de futebol do Amapá e do Brasil, o conhecido “Canário Milionário” marcou a história do esporte regional e até nacional por desempenhar um bom trabalho e ter oportunizado na carreira de grandes craques para o futebol brasileiro. Abaixo uma cronologia histórica dos principais encontros futebolísticos que foram realizados por esse clube canarinho: 

26 de maio de 1957 – Em jogo realizado no Estádio de Macapá (atual Estádio Glicério Marques), o Santana Esporte Clube obtém sua primeira vitória do Campeonato da 2ª Divisão, vencendo o Guarany Clube por 3 x 2. Gols feitos por Aza-Aberta (3) para o “canário”, enquanto que Ribeiro e Milton fizeram para a adversário. O juiz era Francisco Lima, auxiliado por 75 e Franquinho. 

30 de dezembro de 1957 – Em partida decisiva, o Santana Esporte Clube torna-se Campeão da 2ª Divisão do Campeonato da Cidade, após vencer o Fazendinha Esporte Clube por 1 x 0, gol feito por Curió. O juiz da partida foi Fernando Franco. 

21 de junho de 1959 – Em jogo amistoso no Estádio de Macapá, com arquibancada lotada, o time oficial do Fluminense (RJ) vence o Santana Esporte Clube por 4 x 1, sob a arbitragem de Francisco Lima. 

09 de março de 1960 – O Santana Esporte Clube conquista o Campeonato Amapaense de Futebol após vencer o Trem Desportivo Clube por 2 x 0. Esta seria sua primeira vitória no campeonato oficial do Amapá. Depois viriam mais 05 títulos. 

01 de maio de 1966 – O famoso clássico do Porto (Carcará x Canário) começaria justamente nesse dia. Em jogo de abertura do Campeonato da Cidade, realizado no Estádio Glicério Marques, o Santana Esporte Clube vence o Independente Esporte Clube por 4 x 1. Gols feitos por Acemir, Pereira, Moacir e Antonino para o “canário”, enquanto que Austregecildo fez o único tento para o “carcará”. 

Após esse encontro futebolístico, segundo registros, ainda houve cerca de 40 partidas oficiais pelo Campeonato Amapaense de Futebol até 2010. 

08 de julho de 1970 – Em pesquisa de opinião pública, realizada pela Federação Amapaense de Futebol, foi apurado o “Clube mais querido do Amapá”, vencendo o Santana Esporte Clube com 1.199 votos, ficando atrás o Independente Esporte Clube com 211 votos. 

12 de dezembro de 2009 – Após se reorganizar administrativamente para que pudesse retornar aos jogos oficiais e vencer 09 partidas consecutivas, o Santana Clube chega novamente ao jogo final de um Campeonato Amapaense de Futebol, enfrentando o São José, porém, conquista o título de vice-campeão após perder por 3 x 0.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Praça Municipal "Francisco Nobre"


Praça Cívica de Santana, foto tirada de um vídeo-documentário exibido em 1994 na televisão amapaense, sobre a recém-criada Área de Livre Comércio de Macapá (ALCMS).


Inaugurada em março de 1978, pelo então prefeito de Macapá Cleiton Figueiredo, a Praça Cívica de Santana foi construída através de inúmeras reivindicações de moradores que optavam pelo surgimento de um espaço de lazer no pequeno distrito de Santana, na qual não dispunha de locais determinados para a recreação e o divertimento familiar de seus residentes. 

Segundo depoimento de antigos moradores, o local pertencia ao Independente Esporte Clube (IEC), uma agremiação esportiva mantida por frequentadores fieis da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima (na Vila Maia), e foi cedida, sob termo de doação, pela diretoria do clube ao Executivo Macapaense, para ali ser levantada a primeira praça pública santanense. 

Em seu primeiro projeto arquitetônico, a praça tinha apenas quatro (04) pontos arborizados, distribuídos com oito (08) bancos de concreto em torno do novo espaço, todos voltados para as vias públicas (ruas e avenidas) que o cercavam. 

Em dezembro de 1989, após a criação do atual município de Santana, a praça passou por sua primeira reforma física, recebendo uma nova urbanização visual, contando agora com espaço de alimentação (lanchonete) e novos bancos. 

Em meados de fevereiro de 1991, o Departamento Municipal de Urbanização da Prefeitura de Santana realizou a delimitação física da praça, ficando entre as ruas Ubaldo Figueira e Salvador Diniz com as avenidas José de Anchieta e Castro Alves. Em meados do mesmo ano, o Executivo santanense levantaria um palanque de concreto na Praça Cívica de Santana, ficando de frente com a sede social do Independente Esporte Clube. 

Em 05 de novembro de 1997, o então prefeito de Santana Judas Tadeu Medeiros sanciona a Lei Municipal n° 0342, denominando a Praça Cívica de Santana como “Praça Municipal Francisco Corrêa Nobre”, numa justa homenagem a um pioneiro que, falecido em 30/03/1996, residiu em Santana por mais de quatro décadas, ajudando no desenvolvimento econômico, social e político da cidade, na qual este pioneiro exerceu inúmeros cargos administrativos que contribuíram merecidamente em nosso atual município santanense, deixando um legado de trabalho e dedicação através de suas futuras gerações (filhos e netos) que ainda as mantém viva. 

Em maio de 1999, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano de Santana (Semdurb/STN) apresentou à sociedade santanense, o novo projeto urbanístico da Praça Cívica de Santana, contendo uma nova praça de alimentação em torno da praça, com um amplo estacionamento. As obras de construção da nova praça iniciaram no mesmo semestre, sendo totalmente entregue no ano seguinte, mais precisamente no dia 16 de junho de 2000, com sua reinauguração prestigiada por milhares pessoas vindas de Macapá e de Santana. 

Após esta nova reforma, a praça teria uma paisagem urbanística mais regional, contendo agora dois monumentos exóticos da Amazônia: um molde gigante de uma cobra que representa nitidamente a “Lenda da Cobra Sofia”, mantida por décadas por pioneiros de Santana; e o molde gigante de um peixe, que representa uma das fontes de consumo familiar e renda econômica da região (a pesca). 

Vale ressaltar que a histórica Praça Cívica de Santana ficou sendo a única opção de lazer público da cidade por mais de duas décadas, quando somente em abril de 2004, seria inaugurada a segunda Praça de Santana (no bairro Paraíso). 

Em dezembro de 2013, a Praça Cívica de Santana foi escolhida para receber o primeiro “Natal Ecológico de Santana”, um projeto socioambiental inédito em todo Estado do Amapá, recebendo centenas de elogios por parte das autoridades competentes e até da sociedade civil organizada, na qual os principais enfeites natalinos foram confeccionados com material reciclável.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sede da CAEMI: da Mudança ao trágico incêndio


A mudança administrativa do Grupo CAEMI para a nova sede, no Edifício "Barão de Mauá", foi destacado na imprensa nacional e nos seus circulantes internos.

Na noite de 31 de março de 1965, entrando pela madrugada de 1° de abril corrente, os escritórios da Indústria e Comércio de Minérios Ltda (ICOMI) no Rio de Janeiro (RJ) mudariam de endereço. Deixavam os andares que ocupavam no edifício Lowndes, à Avenida Presidente Vargas 290, e foram ocupar quase oito andares do novo Edifício Barão de Mauá, situado na Avenida Graça Aranha 26, prédio onde se localizavam também muitas outras empresas, inclusive a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). 

A mudança foi uma “operação” bem organizada, e exigiu, na época, um grande esforço, não só dos encarregados gerais, sob a chefia do Sr. Pedro Diogo dos Santos, como dos membros de todos os departamentos, que foram para o “Barão de Mauá” aguardar a chegada dos caixotes. 

Já na manhã do dia 04 de abril corrente, começaria a arrumação nas novas instalações, e agora todos se encontrariam em pleno trabalho no novo endereço. 

Ficaram temporariamente no antigo Edifício Lowndes: da CAEMI, tipografia, almoxarifado e alguns serviços de administração de escritórios; da ICOMI, o Departamento de Materiais. Isso até 1972, quando toda a estrutura administrativa do Grupo CAEMI foi definitivamente incorporada às novas instalações no Edifício “Barão de Mauá”, ingressando os escritórios da BRUMASA, COPRAM, FUNDAÇÃO E JINCO. 

As Diretorias e os Departamentos da ICOMI e CAEMI ficaram assim distribuídos: nos 19°, 18° e 16° andares, a Presidência, Vice e Diretorias; no 17°, Gerência, Financeiro, Tesouraria, Controle, Contabilidade, Estudos, Auditoria; no 15°, Administração, Jurídico, Exportação, Contabilidade, Tesouraria, Estudos, Auditoria, Rádio e Telex; no 14°, Relações Públicas, Jurídico, Ações, Técnico; e, no 13°, Pessoal, Organização e Desenho Técnico. E já no 20° andar ficaria instalado o Restaurante da empresa. 

Em setembro de 1974, todas as empresas do Grupo CAEMI já estariam fixamente instaladas naquele luxuoso edifício, então projetado em 1963, pelos renomados arquitetos brasileiros Oscar Niemeyer e Sabino Barroso. Vale ressaltar que em 1964, ao ser inaugurado, o “Barão de Mauá” foi considerado um dos mais belos edifícios da capital carioca, recebendo a alcunha de “Noivinha do MEC”, por ficar ao lado do prédio modernista Gustavo Capanema. 

O Trágico Incêndio
Passava das 3hs da madrugada daquele dia 11 de dezembro de 1981, quando mais de 300 bombeiros foram convocados para apagar um dos mais marcantes incêndios ocorridos em sedes administrativas na história do Brasil. Esses bombeiros não sabiam que estavam sendo chamados somente para salvar uma boa fatia do mundo dos negócios, mas também um pedaço da história mineral do país. 

Os nove primeiros andares do prédio já estavam sendo ocupados pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) – então 7ª maior empresa do país. A Companhia Auxiliar de Empresas de Mineração (Caemi), holding do Grupo do empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes, era a maior empresa privada do setor, que também estava instalada em outros sete andares. O 11º andar, que pertencia ao Ministério das Minas e Energia, abrigava o gabinete do então ministro César Cals para seus despachos cariocas. Dois andares acima funcionavam os escritórios da estatal Petróleo Ypiranga, um dos dez maiores faturamento privados do Brasil. 

Aparentemente, o “Barão de Mauá” já também dispunha de modernos mecanismos de segurança contra incêndios, que todavia, sucumbiria naquela sinistra madrugada de 11/12/1981, num incêndio que durou mais de oito horas. Relatos técnicos apontam que o referido fogo começou por volta das 3 horas da manhã com um curto-circuito numa sala do 15º andar, estourando todos os vidros do prédio e propagando-se rapidamente por seus quase 25.000 metros quadrados. 

Obviamente o fogo encontrou muito material fácil para o seu consumo: divisórias de eucatex em profusão, janelas acortinadas, piso acarpetado e, sobretudo, muito papel nos arquivos. Felizmente não houve mortes por que os mais de 3.000 frequentadores diários do prédio só começariam a chegar depois das 6 horas. Os bombeiros que estavam no local, depois de quase oito horas de fogo intenso, pouco puderam fazer em termos de salvamento material, perdendo-se nesse meio, mais de três décadas de informações e registros técnicos sobre a exploração e exportação mineral do Amapá e do Brasil.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O Memorial aos Mortos do Naufrágio do Barco "Novo Amapá"

Na noite do dia 08 de janeiro de 1981 – dois dias após o barco “Novo Amapá” naufragar na foz do Rio Cajarí, chegava ao Porto de Santana, os primeiros 185 corpos que foram resgatados das águas após a embarcação tombar naquele local. Trazidos numa balsa holandesa (denominada “Ceci”), a maioria dos corpos já se encontravam encaixotados, não havendo qualquer autorização superior para que seus familiares pudessem reconhecer seus entes queridos. 

Devido ao grande número de pessoas que se encontravam aguardando a chegada desses corpos, a Balsa fez uma rápida pausa na embocadura do Rio Matapí, como forma de evitar uma possível reação pública quando encostasse fixamente no cais da ICOMI. 

Somente na manhã do dia seguinte (09/01) que os primeiros 06 caminhões deixaram a área interna da ICOMI levando mais de 40 caixotes – havendo entre 05 a 07 corpos em cada caixote construído em compensado armado com ripas – para serem enterrados no Cemitério de Santana. 

Diante de uma tristeza coletiva, a população da pequena localidade portuária de Santana acompanhou todo o processo de chegada e sepultamento dos mortos. Na ocasião que um dos caminhões que carregava os caixotes dobrava o cruzamento da atual Rua Salvador Diniz com a Avenida Antônio Nunes (seguindo para o cemitério), um dos caixotes que se encontravam na basculante (carroceria) do veículo caiu sob o asfalto da via, vindo a se desmontar, exalando um forte odor para as pessoas assistiam aquele “espetáculo de horrores” para a história da navegação amapaense. 

Sob um sol escaldante, duas retroescavadeiras, cedidas pela Secretaria de Obras e Serviços Públicos do Governo do Amapá, abriram cinco valas extensas que receberiam os corpos das vítimas do naufrágio. Ali seria a última morada das centenas de passageiros que haviam deixado o Porto de Santana naquela tarde de 06 de janeiro de 1981. 

Como forma de lembrar a fatídica data que entrou para os anais das maiores tragédias da navegação brasileira, o Poder Público local, através da Lei Estadual n.º 0262/96, de março de 1996, decidiu construir um memorial que pudesse homenagear aqueles entes morreram naquele que atualmente é considerado o 2º desastre em águas brasileiras, ficando atrás do Navio “Príncipe de Gales”, afundado na encosta de São Paulo, em 1916. 

Em setembro de 1996, a Secretaria de Estado de Infra-estrutura levantou no Cemitério Municipal de Santana, um monumento de concreto, com formato retangular, onde ali foi colocado duas placas de cobre maciço, na qual continha o registro de 332 pessoas (em cada placa) que morreram no naufrágio do barco “Novo Amapá”. Vale ressaltar que o nome desses falecidos foram cedidos pela (extinta) Secretaria de Promoção Social do Governo do Amapá que, na época do naufrágio, efetuou um levantamento das vítimas através de comunicados feitos por parentes que acompanhavam o desembarque dos corpos no Porto de Santana. 

Essas placas permaneceram expostas ao público por quase uma década, sendo que uma delas acabou sendo furtada (roubada) em junho de 2005 e a outra teve que ser recolhida pela administração do Cemitério como forma de assegurar sua integridade material para quem quiser vê-la. 

Abaixo, descrevo o nome das mais de 330 pessoas que pereceram diante desse naufrágio. 



Abdias Barreto
Abelardo A. de Almeida
Aderson N. da Costa
Adilza P. da Silva
Adnaldo M. de Oliveira
Adoberlice S. do Carmo
Adriana O. Coutinho
Adriane C. dos Santos
Adriane T. Pereira
Aldemiro N. dos Santos
Aleixo S. F. de Souza
Alex C. Coutinho
Alexandre G. da Silva
Alexandre S. do Carmo
Alfredo V. Pacheco
Aline C. Bentes
Aluízio da S. Araújo
Américo A. Coelho
Ana Maria C. de Araújo
Ana Maria Ferreira
Ana Paula da C. Furtado
Ana Paula S. de Oliveira
Ângela C. de Albuquerque
Ângela de S. C. Albuquerque
Antenor da S. Melo
Antônia N. de Araújo
Antônio A. de Lima
Antônio B. da Silva
Antônio B. Nunes
Antônio E. de Almeida Francisco
Antônio Ferreira
Antônio N. dos Santos
Antônio P. Sacramento
Antônio S. R. de Oliveira
Apolônia Rodrigues Barreto
Ario A. dos Santos
Arquimino Q. do Carmo
Artur M. Teixeira
Augustinho de O. Almeida
Balbina de O. Cordeiro
Beatriz dos S. Vasques
Benedito A. Rodrigues
Benedito de S. Barreto
Benovenuto N. de Souza
Brasiléia R. Barreto
Carina B. e Silva
Carla Alves Guedes
Carlos Adriano G. Ribeiro
Carlos Alberto L. Costa
Carlos da S. Loureiro
Carlos Luiz dos Santos
Carlos Tarabian N. de Lima
Carmem Lúcia dos S. Sacramento
Cássia Jane P. Pinto
Célia Lúcia O. Monteiro
Cézar Mendes Garrido
Cintia Kátia dos Santos
Claudionor de O. Pinheiro
Clemilda da S. Alves
Cleonice da S. Souto
Cosme Roberto S. Rodrigues
Cristiane T. A. da Costa
Daniel A. da Silva
Denize M. de Oliveira
Dercinha C. Machado
Dimalro Clebert N. de Brito
Dinalva de J. Loureiro
Dinilza de O. Santos
Diolene F. Amaral
Divandro F. Amaral
Doraci M. dos Reis
Ecicio de A. Aquino
Edivalda M. de Oliveira
Edleuza R. Lobato
Edmilson M. de Oliveira
Edmo S. Trindade
Edno Alves Ferreira
Edson C. de Albuquerque
Edson M. dos Santos
Edson Rogério L. Monteiro
Elanilda da S. Alves
Eleonora R. Martins
Eli dos S. Marques
Eliana de O. Cordeiro
Elizângela C. Pereira
Elizângela M. dos Reis
Enedina N. Souza
Enilda B. dos Santos
Eunice de A. Aquino
Eurico B. Martins Filho
Everton
Fabrício M. das Neves
Fatiane de O. Almeida
Francinei V. Cruz
Francisco A. Trindade
Francisco F. Martins
Francisco M. Prata
Francisco P. Aquino
Geane Carla C. Ribeiro
George P. Bezerra
Germano da S. Souza
Gláucia Maria M. do Carmo
Haroldo Vilhena
Heraldo V. dos Santos
Hiraldo P. de Araújo
Hudson B. dos Santos
Hudson C. de Albuquerque
Iaciara Távora Pinheiro
Ibelza Cardoso Bentes
Ieda S. M. de Souza
Iomázia O. dos Santos
Iran C. de Albuquerque
Irandir Pontes Nunes
Irizete Távora Pinheiro
Irley P. da Silva
Israel Rodrigues Lobato
Ivanele dos S. Sacramento
Ivete Batista Freitas
Ivonete Marques dos Reis
Ivonete S. de Jesus
Izete Oliveira maciel
Jacirema Brito dos Santos
Jairo da Silva Alves
Jean Carlos G. Ribeiro
Jean Serra
Jeová Cardoso do Amaral
Joana M. de Oliveira
Joana Padilha de Sá
João das Neves Maciel
João Góes da Costa
João Nogueira Moura
João Ubiracy dos S. Pereira
Joel da Silva
Jorge N. C. de Albuquerque
José Almeida
José Ângelo T. da Rocha
José Benedito da Costa
José da Costa Souza
José de Jesus Santos
José Francisco M. dos Santos
José Hamilton Vaz dos Santos
José Hélio V. de Carvalho
José Iranei P. Monteiro
José Lobato Monteiro
José Maria Vaz dos Santos
José Monteiro de Brito
José Pereira de Souza
José Raimundo Pinheiro
Josefina Freitas da Silva
Joseli Castro Pureza
Josué Machado da Silva
Juvêncio Neri Carvalho
Kátia Cilene da T. Nobre
Kilsa Maria R. Barreto
Kleson Miranda dos Santos
Lana Carina F. da Silva
Landaci de Moraes Lima
Leda Rosilda N. da Costa
Leni de L. N. Almeida
Letícia Távora Pereira
Lidiane Alves Coelho
Lima Vaz Leite
Lindonei Chaves da Costa
Lucilene M. dos Santos
Lucimar Guedes
Lucivaldo Aguiar dos Santos
Luiz Carlos da S. Pantoja
Luiz Figueira dos Santos
Luiz Walter F. da Silva
Luiza Silva Paixão
Manoel do Carmo F. Duarte
Manoel Lisbino dos Santos
Manoel Moura de Oliveira
Manoel Paulo da Cunha
Manoel Pureza do Amaral
Manoel Raimundo C. Moraes
Marcos Nazareno C. Tavares
Marcos Nazareno da S. Tavares
Margareth Pinheiro da Costa
Maria Almeida de Araújo
Maria Amélia M. do Carmo
Maria Aparecida S. Belo
Maria Célia Soares de Souza
Maria Crisalda Alves Guedes
Maria da Assunção L. Monteiro
Maria da Conceição F. Marques
Maria da Graça L. da Silva
Maria de Fátima M. dos Santos
Maria de Nazaré M. dos Santos
Maria Dilma C. Acelma
Maria Dilza B. Paiva
Maria do Socorro M. Ferreira
Maria do Socorro M. Santos
Maria do Socorro S. Oliveira
Maria do Socorro Vasques
Maria Eliana de O. Cordeiro
Maria Gilva F. Amaral
Maria Ivone da Silva Jesus
Maria Ivonete da S. Jesus
Maria Izete da Silva Jesus
Maria Joana Moraes Brito
Maria José B. Ferreira
Maria José de O. Cordeiro
Maria Lima Vaz
Maria Lúcia Vaz Leite
Maria Maria S. Barriga
Maria Minelvina de J. Ferreira
Maria Nilma C. Acelma
Maria Osvaldina de Oliveira
Maria Pinheiro Costa
Maria Raimunda S. Ramos
Maria Renilda F. dos Santos
Maria Rineide Rocha Lobo
Maria Valdete M. Barreto
Maria Zenias Lima dos Santos
Maria Zinoca dos Santos
Mariana da Conceição Pinheiro
Mariana P. da Conceição
Marilene da Silva Santos
Marileuma Machado das Neves
Marina Nascimento Souza
Marineuta Machado das Neves
Mariolando S. Barriga
Mariquele Machado das Neves
Marlindo Pinheiro Costa
Marlúcia S. Barriga
Marlúcio Pinheiro Costa
Max Henrique da S. Oliveira
Miraci Inglês de Moraes
Moacir Alan M. do Carmo
Moacir Nunes da Silva
Moura Luz R. Martins
Moura Pinto Silva
Moura Ribeiro Coutinho
Nereide C. de Albuquerque
Nica Patrícia Pontes Monteiro
Nilza Maria R. Barreto
Nonato L. da Silva
Oberto Santos do Carmo
Ocivaldo Cardoso do Amaral
Odenildo A. da Silva
Odenildo Alves Paixão
Odivaldo Ferreira de Souza
Olgarina Ferreira Cordeiro
Onelício Crimário L. Tavares
Osvaldo Silva Souza
Pablo da Rocha Lobo
Paulo Cézar R. Barreto
Paulo Roberto de Oliveira
Paulo Ronaldo de Oliveira
Paulo Sérgio B. Pimentel
Paulo Sérgio Cardoso Silva
Paulo Sérgio T. C. Junior
Pedro Nolasco de M. Tavares
Quirino Tapajós da Rocha
Raimundo Almeida da Costa
Raimundo Cândido Donato
Raimundo Cardoso
Raimundo Cardoso
Raimundo Caxias da Silva
Raimundo da Cunha Silva
Raimundo da Silva
Raimundo de Souza Figueira
Raimundo Nonato Alves
Raimundo Nonato R. Barreto
Raimundo Nonato S. Santos
Raimundo Reis de Oliveira
Raimundo Santana Barriga
Redimar Cardoso Pontes
Regiane Picanço Gemaque
Roberto Alves Guedes
Roberto Dias da Costa
Roberto Ribeiro S. da Silva
Romerson Sarges da Silva
Romilna Silva Paixão
Romilsa Silva Paixão
Romilson Sarges da Silva
Ronalti Sarges da Silva
Roni Silva Paixão
Rosângela dos S. Monteiro
Rosângela Gomes Quintela
Rosiana Sarges da Silva
Rosilene Borges e Silva
Rosilene Santos Marques
Rubinelton de J. Ferreira
Rudinelson de J. Ferreira
Rudnei de Jesus Ferreira
Rudson Brito dos Santos
Rutilene Rocha Roberto
Santinha Moura de Oliveira
Sebastiana M. dos Santos
Selma dos Santos Soares
Sérgio Almeida de Oliveira
Shirley Mendes Garrido
Silvia Cristina M. da Silva
Silvia Maria N. Coelho
Silvino Marques
Silvio Mendes Garrido
Socorro de Oliveira
Solange Furtado da Cunha
Suely de Jesus Ferreira
Suely Dias dos Santos
Suely Monteiro Duarte
Suley C. de Albuquerque
Suzana Quintela do Carmo
Suzana Regina Souto Banhos
Tatiana Rodrigues Almeida
Tereza de Jesus Corrêa
Terezinha Furtado da Cunha
Tomázia Rodrigues Duarte
Urbano Gonçalves Ribeiro
Veralza Sarges da Silva
Wadeneide Lima dos Santos
Waldelina Figueira Marques
Waldenir Lima dos Santos
Waldir Lobato Monteiro
Waldirene Figueira Marques
Waleriano B. do Nascimento
Wanderléia Figueira Marques
Wérica Brito dos Santos
Wilson de Oliveira
Zulmira Bezerra Nunes