Possuindo um incomensurável acervo de informações históricas, passando de 11 mil assuntos (entre eles, mais de 300 dados biográficos de pioneiros santanenses e mais de 500 fotos históricas que registram o crescimento demográfico e social da cidade portuária do Amapá).



domingo, 7 de julho de 2013

"O Barranco": Primeiro Jornal de Santana



Na foto (1964), a equipe de redatores do jornaleco "O Barranco" preparando as pautas a serem publicadas no semanário.

Bastou a intenção de um grupo de jovens funcionários lotados na Indústria e Comércio de Minérios Ltda (ICOMI) para que um simples informativo viesse a se tornar o ponta-pé inicial da história da imprensa em Santana. Ao se reunirem nos finais-de-semana, durante passeios pitorescos em terrenos particulares ou até mesmo por ocasião de uma descontraída partida de futebol no gramado do Estádio do Santana Esporte Clube (hoje Estádio “Augusto Antunes”), os trabalhadores novatos da mineradora, nomes como Aurílio Lima, Edison Santos, Reynaldo Pinto, Gutemberg Menezes, Álvaro França, Francisco Lima e Manoel Araújo, juntariam suas idéias e criariam um excêntrico jornal denominado “O BARRANCO”, na qual seria o órgão pioneiro do jornalismo amador na ICOMI.

Oficialmente fundado na manhã do dia 07 de julho de 1963, carregava estampado em sua capa o seguinte slogan: “O Barranco: Jornaleco Semanal da Turma do Barranco”, contando com o talento comunicativo e literário desses 07 operários icomianos que semanalmente marcavam uma reunião para assim juntarem as informações colhidas durante a semana e debaterem somente as notícias que seriam posteriormente publicadas.

Mesmo não havendo uma sede fixa para seu funcionamento, sua equipe editorial não media esforços para se reunirem, ora na cantina da empresa ICOMI, ora na casa de algum de seus redatores, onde buscavam fechar a edição semanal ainda nos dias de quinta ou sexta-feira, para que todo esse material selecionado fosse diagramado e formatado – através de um processo manual contendo apenas uma máquina de datilografia “Olivetti” e um aparelho mimeógrafo (gentilmente cedido pelo Departamento de Recursos Humanos da ICOMI), onde eram produzidos e editados os mais de 100 exemplares do jornaleco. O semanário não tinha imagens fotográficas, apenas gravuras explicativas que acompanhavam os textos impressos.

Mas com estas humildes ferramentas, “O Barranco” mostraria sua capacidade de informar, quando inicialmente circularia apenas nas dependências internas da mineradora, e após algumas semanas conquistando novos leitores, ampliaria seus objetivos de comunicação local, indo registrar os acontecimentos sociais e religiosos do núcleo populacional da Vila Drº Maia.

Deste núcleo foram publicados diversos acontecimentos notórios, como: o primeiro plano urbanístico para a Vila Drº Maia (1963); a abertura de novas ruas e avenidas que interligariam a Vila Amazonas com a Vila Drº Maia (1963); as primeiras reuniões estatutárias do Independente Esporte Clube (1963); o remanejamento das famílias das áreas da Olaria para uma área na Vila Drº Maia (1964); o interesse de técnicos da ICOMI para implantar uma emissora de TV no Amapá (1967), entre outras notícias.

Vale ressaltar que o semanário consistia, na verdade, de apenas duas páginas (frente e verso) que eram divididos por assuntos diversificados, como notícias comunitárias, notas de reuniões sociais, seção de esportes e seção literária. Era uma publicação bem modesta, mas bastante eficiente, justamente por contar um pouco do desenvolvimento social e econômico que vinha consideravelmente se expandindo pelos núcleos urbanos que posteriormente formariam o atual município de Santana, onde se incluía comentários críticos e elogiosos sobre alguns desses importantes fatos para a comunidade santanense.

A idéia em levar o projeto de informar com o jornaleco era tão determinante que os gastos na produção e distribuição (gratuita) do folhetim eram custeados por seus próprios realizadores, recebendo em troca apenas o prestígio de terem levado a informação ao conhecimento popular. Segundo informações repassadas pelo saudoso Manoel Araújo, as edições eram distribuídas em blocos de 20 exemplares na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (próximo a Vila Amazonas) e nas duas únicas escolas existentes na Vila Drº Maia, que eram: Escola Barroso Tostes e Escola Porto de Macapá (hoje Escola Amazonas).

No final de 1965, a circulação do jornaleco passou a ser quinzenal devido o custo com sua publicação ter ficado sob responsabilidade de apenas três colaboradores, mas ainda mantendo a mesma linha editorial com suas seções e informações a serem divulgadas. Buscando discutir os variados assuntos que repercutiam constantemente entre a capital Macapá e as vilas adjacentes da ICOMI, o Padre Ângelo Biraghi passou a contribuir com seus artigos religiosos e textos de opinião como forma de estabelecer suas idéias de líder eclesiástico na região e buscar soluções para os problemas sociais existentes em Santana.

Foi justamente em um artigo de autoria do padre Biraghi, publicado na edição n.º 29 do jornaleco “O Barranco”, da segunda quinzena de janeiro de 1966 (depois reeditado em 1973 no jornal “A Voz Católica”), que a prostituição descontrolada na área portuária de Santana foi levada ao conhecimento das autoridades competentes, sendo com isso, tomado providências com ações de retiradas de bares irregulares e empregado um horário limitado para manterem tais estabelecimentos abertos durante o horário noturno. A repercussão do artigo foi que popularizou a existência de prostíbulos na zona portuária de Santana, quando antes essa fama estava voltada para a Doca da Fortaleza (em Macapá).

O surgimento de novos períodicos que vinham da capital (Macapá) e até mesmo a falta de investimentos de novos colaboradores forçaria o jornaleco santanense a reduzir sua tiragem (para 50 exemplares por edição) e passaria a circular mensalmente a partir de outubro de 1965, mas ainda mantendo seu estilo de informar os principais acontecimentos sociais das Vilas Dr.º Maia e Vila Amazonas.

Em maio de 1967, depois de um longo período de insistentes e complicadas formas de manter sua circulação, o folhetim “O BARRANCO” encerraria definitivamente suas atividades em prol da informação comunitária local, mas deixando seu nome escrito na história das comunicações de Santana.

Até o início do ano de 2001, era possível encontrar alguns exemplares raros desse jornal na Biblioteca Pública Municipal de Santana para consulta pública, assim como outros materiais que descrevem a evolução histórica da comunicação do município. Porém, com o fechamento temporário da biblioteca e suas constantes reformas físicas, tais jornais foram inexplicavelmente extraviados, apesar das diversas tentativas de localização desses materiais durante processo de levantamento patrimonial do acervo existente naquela instituição bibliotecária.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

50 Anos de Comunicações em Prol de Santana


Em meio século de informação, foram mais de 10 jornais e 03 revistas que registraram e divulgaram sobre o crescimento social, político e econômico do atual município de Santana.

Em termos bem atualizados, os meios de comunicação procuraram se desenvolver de forma bastante significativa nas últimas décadas, gerando diversos caminhos viáveis para repassar a informação a curto prazo para aqueles que desejam tomar conhecimento e interar-se dos fatos notórios que ocorrem diariamente em nossa sociedade. Hoje, os chamados “caminhos da notícia” são utilizados através dos jornais impressos, do rádio, da televisão, até mesmo pela internet que lidam com as redes sociais, onde milhares de pessoas estão conectados, procurando sempre manter em tempo real suas linhas de conhecimento.
Se hoje encontramos diversas maneiras para se colocar informado com os acontecimentos, muitos se fez quando tudo ainda seguia em passos lentos. Os registros mais antigas que falam dos primórdios das comunicações em grande escala em nosso país data do início do século XIX (19) quando a Família Real Portuguesa desembarcou no Brasil em 1808 e implantou a “Impressão Régia” que depois se transformaria na “Imprensa Nacional”. No mesmo ano (1808) saiu às ruas o jornal “A Gazeta do Rio de Janeiro”, o primeiro criado em território brasileiro, com isso dando ênfase para que outros jornais fossem criados ainda naquele século.
No Amapá, os primeiros passos sobre as comunicações de grande expansão começaram a aparecer em 1895, com o lançamento do primeiro jornal em terras amapaenses, “O PINZÔNIA”, idealizado por um macapaense chamado Francisco de Mendonça Junior, onde registrava o cotidiano pacífico dos pouco mais de 1.500 moradores que residiam na pequena cidade de Macapá no final do século XIX. O “Pinzônia” circulou até 1899, mas deixou uma grande marca para as comunicações em nosso Estado, dando espaço para que no século seguinte novos veículos começassem a tomar frente para nossa sociedade. Esse impulso no setor comunicativo criou mais força a partir da metade de década de 1940, logo depois da criação do então Território Federal do Amapá com jornais que escreveriam nomes na história como o jornal “Mensagem do Amapá”, “A Voz Católica”, “O Amapá”, “Jornal do Povo” e outros que tiveram pequeno período de circulação, mas colaborando assiduamente para a nossa história.
Assim como ocorria na capital amapaense, o nome de um informativo ficaria bastante conhecido entre os moradores santanense ainda na década de 1960. Era o jornal “Barranco”, fundado no dia 07 de julho de 1963.
Se hoje em dia correr atrás dos detalhes de um acontecimento é uma tarefa árdua dentro de uma cidade com mais de 100 mil habitantes, imagine as dificuldades enfrentadas por esses pioneiros que usavam de suas andanças para percorrer as mais de dez vilas suburbanas existentes ainda naquela década, sem oferecer as mínimas condições sociais para seus jovens e amadores repórteres.
Porém, os desafios foram sendo vagarosamente vencidos e os esforços foram sendo atendidos com auxílio daqueles mais favorecidos financeiramente. A Indústria e Comércio de Minérios Ltda (ICOMI) foi uma das grandes incentivadores dessa iniciativa pioneira, que acabou se envolvendo na mesma idéia de divulgar suas ações sociais no então Território Federal do Amapá e lançou sua própria revista no ano seguinte, “ICOMI Notícias”. Até 1967 esses dois informativos privados ainda eram bastante conceituados entre os dois núcleos populacionais mais conhecidos de Santana: a Vila Dr.º Maia e a Vila Amazonas.
Na década de 1970, nosso povoado somente era focado pelos noticiários impressos com direito a um encarte nos poucos jornais semanais que circulavam entre a capital e nossa pequena vila portuária. Se havia dois ou três semanários, era fácil encontrar algum fato ocorrido em Santana numa dessas páginas, quase sempre assinadas por pessoas bastante conhecedoras de nossos problemas. Que nos diga o profissionalismo feito por Olavo Almeida, Gerônimo Acácio, Jorge Bittencourt, Haroldo Pinto e outros que enviavam com destreza e dinamismo os principais acontecimentos de nossa cidade que crescia lentamente na virada das décadas de 1970-1980.
As poucas vezes que estivemos nas primeiras páginas dos jornais de grande circulação (entre essas duas décadas citadas), algumas foram de maneira positiva e outras negativas, como a cobertura feita pela imprensa nacional sobre o naufrágio do Barco “Novo Amapá” (1981) ou a visita do famoso oceanógrafo francês Jacques Coausteu (1982) que por aqui esteve conhecendo nossa fauna e flora para depois produzir um dos documentários mais assistidos em todo o planeta.
Com o período pós-município (já no início da década de 1990), a comunicação impressa acabou tendo um maior impulso com o surgimento de novos jornais santanenses. Chegaria às bancas o “Jornal de Santana”, depois o lendário “Jornal do Porto” (que mais tempo circulou em Santana, com mais de 200 edições publicadas em seis anos de existência), a “Vanguarda” e o “Diário de Santana”. Todos esses folhetins serviram de escolas para grandes nomes que hoje conhecemos no ramo da comunicação santanense, por onde militaram Tina Sanches, Walber Trindade, Alice Sanches, Socorro Barros, Sanderley Lobato, Paulo Rogério, Serginho Guedes, Roberto Guedes, Jackson Martins, entre outros.
Em 1998 aparecia um novo segmento nas comunicações locais: seriam os primeiros testes radiofônicos para implantação de um sistema FM na cidade que logo fixaria seus objetivos junto à nossa sociedade. Apesar dos primórdios da radiofonia em Santana ter se registrado ainda na década de 1970, somente no final do século XX que a idéia conseguia ter mais força técnica e humana.
Depois da virada do milênio, nossa cidade viveria novos horizontes no setor comunicativo a partir ano de 2005, com a implantação da primeira emissora de televisão local e o aparecimento de novos jornais independentes. Surgiriam os quinzenários “Cidade de Santana”, “Correio Popular”, o tablóide “Fatos”, o “Correio Santanense”, e os semanais “Santana Agora” e “A Gazeta de Santana”. Todos marcariam seus nomes na história recente do município por acompanhar no desenvolvimento social, político e econômico.
Chegando em 2013 podemos notar que em meio século muitos acontecimentos puderam ser registrados e divulgados abertamente pelos meios de comunicação que foram constantemente aparecendo na segunda maior cidade do Estado do Amapá. Em meio a registros históricos, já se passaram mais de 12 jornais somente na área interna de nossa cidade nesse período de 50 anos, somando com outras 03 revistas de circulação independente.
Mas conseguimos alçar grandes topos por atualmente termos a cobertura de 03 emissoras de rádios, duas emissoras de televisão, um jornal de circulação semanal (“Correio de Santana”), mais de 50 blogueiros cadastrados no Google, e um número infinito de internautas conectados nas maiores redes sociais da Internet, em prol de auxiliar na informação em curto prazo sobre tudo que acontece simultaneamente em nossa cidade portuária. Tudo isso graças ao pioneirismo realizado por 07 jovens que idealizaram o primeiro jornal de Santana, o “Barranco”.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Um Cais de conquistas, polêmicas e tragédias



O segundo maior município do Estado do Amapá ainda permanece em luto devido ao desmoronamento ocorrido no último dia 28 de março, onde grande parte da estrutura portuária que vinha sendo utilizada há mais de 60 anos para o embarque de minérios e materiais diversificados, desabou e causou a morte de pelo menos 06 pessoas que se encontravam trabalhando no local.
Para muitos, o triste fato que ceifou tais vidas foram causados pela possível sobrecarga de materiais técnicos (caminhões e tratores), assim como a estocagem de milhões de toneladas de minérios que estavam aguardando para sempre embarcados para o exterior, onde insistem em alegar que o desabamento terrestre não estava propriamente previsto.
Porém, registro de maneira historicamente cronológica de que desde a construção das instalações portuárias, ainda iniciadas no final da década de 1940, muitos acontecimentos chegaram a ser advertidos sobre a chamada “tragédia anunciada” que recentemente resultou nas citadas mortes, mas que poderiam ter sido obviamente evitadas.

04 de dezembro de 1947 – Através do Decreto Federal n.º 24.156 fica autorizado o Governo do então Território Federal do Amapá a contratar a Indústria e Comércio de Minérios Ltda. (ICOMI) para explorar o minério de manganês existentes nas margens do Rio Amaparí. No contrato, que possui 58 cláusulas, está descrito as obrigações da empresa arrendatária que a tornam independente para efetuar estudos de levantamentos topográficos, geológicos, sondagens, perfurações de galerias e outros processos aconselhados pela técnica.
Das cláusulas 25 à 28, estão as possibilidades da empresa arrendatária (ICOMI) conceder do Governo Federal uma concessão para a construção de instalações portuárias no Rio Amazonas ou qualquer outro local conveniente, destinado exclusivamente ao embarque de minérios em navios que o transportarão para o mercado nacional e internacional.

10 de janeiro de 1948 – Chega ao Amapá, o Diretor da ICOMI, Dr.º Augusto Trajano Antunes, acompanhado do técnico Paulo Bremer, onde iniciam os primeiros procedimentos técnicos para demarcação do local onde será construído o futuro porto de embarque de minérios da ICOMI.

Fevereiro/1948 – Com intuito de auxiliar a empresa ICOMI nos trabalhos de levantamento topo-hidrográfico para construção do píer flutuante privativo, o Governo do Amapá designa o Engenheiro Ataualpa Albuquerque Maranhão e o topografo-auxiliar Leopoldo Leontino de Queiroz Teixeira (ambos da Divisão de Obras) para prestarem serviços na referida obra.

24 de fevereiro de 1948 – O Governador do Território Federal do Amapá Capitão Janary Nunes já tinha em mãos o relatório final de uma sondagem que mandara fazer sobre as condições de navegabilidade do Canal Norte do Rio Amazonas. O relatório sustentava que tanto o futuro porto de embarque de Santana quanto o canal norte poderiam receber navios de grande calado, se fossem feitas as pesquisas e as demarcações adequadas.

07 de janeiro de 1949 – A empresa ICOMI inicia a chama de braçais e operários para trabalharem nas minas manganíferas do Rio Amaparí, e na construção de um cais provisório para o recebimento de equipamentos e materiais para a montagem do futuro atracadouro industrial da mineradora.

10 de abril de 1951 – Rio de Janeiro. Aprovado pelo Ministro do Estado, o projeto e orçamento para a construção do Porto Industrial de Macapá, em Santana, de acordo com ofício n.º 1.435 desta data.

18 de maio de 1951 – O navio norte-americano Cuthbert, da Boothline, atraca em frente ao píer provisório de Santana (em construção), onde desembarca material metálico a ser utilizado na montagem do futuro porto de embarque da ICOMI. O navio estava sob o comando do Capitão Frederico H. Good, e deixa o Porto de Santana no dia 21 de maio corrente.


01 de junho de 1951 – Rio de Janeiro. Em audiência com o Presidente da República Getúlio Vargas, deputado federal pelo Amapá Dr.º Coaracy Nunes apresenta os resultados técnicos realizados pela ICOMI no Território do Amapá, assim como também entregou ao Chefe da Nação, as plantas e projetos da estrada de ferro Porto de Santana-Serra do Navio e do cais flutuante. Os projetos são de autoria das empresas Morgan, Proctor, freeman & Hueser e Foley Brothers Inc. (EUA).

19 de março de 1952 – Rio de Janeiro (RJ). Depois de comparecer por diversas vezes ao Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais, o governador do Amapá Capitão Janary Nunes consegue autorização para prosseguir com as obras de construção do futuro porto de minérios em Santana e seu imediato aparelhamento.

09 de julho de 1952 – O Governador do Amapá Capitão Janary Nunes mantêm longos entendimentos com os diretores da ICOMI sobre os trabalhos já desenvolvidos pela empresa no Território do Amapá, onde são explanadas as minutas do contrato de arrendamento da projetada estrada de ferro do Amapá e do porto de minérios em Santana, onde esta última estava sendo submetida à análise pelo Departamento Especializado do Ministério da Viação e Obras Públicas.

23 de junho de 1952 – O Navio Hidrográfico (NHI) “Rio Branco”, pertencente à Diretoria de Hidrografia e Navegação do Ministério da Marinha, aporta no canteiro de obras do porto da ICOMI para realizar o levantamento do Canal Norte do Rio Amazonas, incluindo estudos sobre as condições físico-geológicas do atracadouro que vai receber navios e cargueiros de grande calado com intuito de exportar minério de manganês.

30 de março de 1953 – A empresa ICOMI envia um requerimento ao Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais, solicitando permissão para construir e usar um embarcadouro de minério, no regime de trapiche no local denominado Porto de Santana, em frente a Ilha de Santana, no Território Federal do Amapá. (Diário Oficial da União, de 01/04/1953)

30 de abril de 1953 – O Ministério da Viação e Obras Públicas concede autorização oficial à ICOMI para a construção de um porto flutuante em Santana. Ver 01.05.1953
Nota: A firma norte-americana Morgan, Proctor, Freeman & Hueser foi escolhida pela ICOMI e pela Bethlehem Steel para desenhar o futuro Porto de embarque de minérios de Santana, enquanto que a firma Foley Brothers Inc. (a mesma que construiria a ferrovia Santana-Serra do Navio e o perímetro de mineração) foi a construtora do Porto de minérios.

01 de maio de 1953 – O Ministério da Marinha ratifica o pedido da ICOMI de construir o Porto de minérios em Santana, conforme autorização anteriormente dada pelo Ministério da Viação e Obras Públicas.

26 de agosto de 1953 – O Presidente da República Getúlio Vargas, através do Ministério da Fazenda, autoriza a cessão de uma faixa de terras da Marinha no Porto de Santana, para a construção de um embarcadouro pela empresa ICOMI, de acordo com o Decreto Federal n.º 1.681. (Diário Oficial da União, de 29/08/1953)

24 de fevereiro de 1954 – Atraca no canteiro de obras do cais da ICOMI, a primeira descarga de navio estrangeiro (cargueiro “Mormacdale”), despejando mais de 500 toneladas de equipamentos para a montagem do porto de minérios da ICOMI. O navio trouxe 29 caminhões, 23 tratores, 16 scraps, 07 carros, 01 guindaste-volante (com 64 toneladas de peso), 256 toneladas de cimento, 300 toneladas de chapa e tubos de aço.
Após esta descarga era quinzenal a chegada de navios que traziam materiais para a construção da ferrovia e do porto de minérios da ICOMI.

Novermbro/1955 – Parte do primeiro cais provisório, construído pela ICOMI para receber os navios que traziam material pesado para a montagem do porto industrial e para a ferrovia Santana-Serra do navio, desaba em virtude de fortes deteriorações causadas nos esteios que sustentavam sua pequena estrutura e vinha sendo constantemente atingida pelos fortes movimentos das águas do Rio Amazonas. Não houve vítimas na queda do cais.

09 de outubro de 1956 – Estando com mais de 90% de sua estrutura montada, o novo porto industrial de Santana recebe (ainda sob fase experimental) seu primeiro carregamento de minério de manganês vindo de Serra do Navio, ficando o minério temporariamente estocado no pátio industrial da ICOMI em Santana.
Diversos testes operacionais vão sendo realizado no período de outubro e dezembro desse mesmo ano como forma de manobrar o embarque e desembarque de minérios e mercadorias pelo porto industrial da ICOMI e posteriormente iniciar sua etapa oficial de exportação mineral.


05 de janeiro de 1957 – Com a presença do Presidente da república Juscelino Kubistchek e diversas autoridades nacionais e territoriais, inicia-se o processo de embarque e exportação de minério de manganês pelo novo Porto de embarque da ICOMI, em Santana, sendo que o primeiro embarque seguiu no navio Aretis-X, com destino a Baltimore (EUA), levando mais de 10 mil toneladas de manganês.

04 de abril de 1959 – O cargueiro norueguês “Beaumare”, deixa o Porto de minérios da ICOMI, em Santana, levando mais de 33 mil toneladas de manganês, sendo este o maior carregamento individual a cruzar pelo Canal Norte do Rio Amazonas na década de 1950.

Janeiro/1969 – O navio Almirante Saldanha, da Diretoria de Hidrografia e Navegação do Ministério da Marinha atraca no porto industrial da ICOMI em Santana, com intuito de iniciar estudos sobre a geologia marinha do Brasil, começando pela foz do Rio Amazonas, através de uma operação oceanográfica denominada GEOMAR I, sob o comando do Capitão Paulo Fernandes. Em parte do relatório, concluído em setembro de 1971, foram constatados que “a plataforma continental do braço norte do Amapá já vêm sofrendo constantes oscilações em virtude dos movimentos litorâneos do rio Amazonas”.

10 de dezembro de 1971 – O navio Vaardas, com destino à Noruega, deixa o Porto de minérios da ICOMI em Santana, levando o maior carregamento unitário deste porto (chegando a 40 mil toneladas de minerio).

20 de outubro de 1993 – Uma gigantesca onda de água se formou no canal do Rio Amazonas, provocando o desabamento de uma esteira do cais da ICOMI e causando pânico aos barqueiros que estavam na área portuária de Santana. Não houve vítimas fatais, apenas danos em embarcações que estavam atracadas.

10 de março de 1999 – A empresa ICOMI expede uma carta ao Governo do Amapá, comunicando a extinção do contrato de arrendamento das jazidas de manganês em Serra do Navio, onde também pede a designação de um representante do governo amapaense para receber os bens reversíveis vinculados aquele contrato (cita-se a ferrovia e as instalações portuárias de Santana) e aos contratos associados, que também já estavam extinguindo. Ver 10.06.1999

04 de abril de 1999 – O Governador do Amapá João Alberto Capiberibe sanciona o Decreto Estadual n.º 0904, criando um Grupo de Trabalho (GT) para acompanhar o recebimento dos bens patrimoniais da ICOMI (ferrovia e Porto) para o governo amapaense, assim também estabelecendo 120 dias para a conclusão de tais relatórios de transição patrimonial.

10 de junho de 1999 – A empresa ICOMI escreve novamente ao Governo do Amapá, reiterando os termos já redigidos na carta do dia 10/03/1999, e agora acrescentando que, “estando extinta a concessão, a ICOMI não pode permanecer na gestão da Estrada de Ferro do Amapá e na manutenção de sua estrutura portuária, cabendo ao Estado assumir tais serviços”.

14 de fevereiro de 2004 – A empresa ICOMI realiza o último embarque internacional de minério de manganês com destino à China, para onde são levado mais de 40 mil toneladas do minério, vendidos para a Meta Wise, empresa de siderurgia da china comunista. O minério é embarcado no cargueiro iraniano Iran Ashrafi, com o preco do minério feito por US$ 9,5 milhões.

20 de março de 2006 – A multinacional MMX assume o controle acionário da antiga ICOMI, respondendo pelos serviços na ferrovia Santana-Serra do Navio e do Terminal Privativo de minérios em Santana.

10 de dezembro de 2006 – Realizada a apresentação ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (COEMA) do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da área do porto privativo da MMX em Santana. Durante a apresentação dos tópicos relativos aos meios físico, biótico, e socioeconômico, foram levantadas questões principalmente a respeito das influências do projeto sobre a comunidade do Elesbão e o já conhecido problema do passivo ambiental deixado pela ICOMI na referida área portuária.

09 de janeiro de 2007 – A empresa MMX Amapá realiza no auditório do antigo Cine Amazonas (Vila Amazonas), uma audiência pública, onde é discutido o projeto de construção do novo Terminal de minérios e metálicos do Amapá, a ser adaptado nas proximidades do atual Porto de embarque de minérios anteriormente utilizado pela ICOMI, com investimento em torno de R$ 15 milhões, vindo a embarcar posteriormente cerca de 6,5 milhões de toneladas de minério ao ano.

04 de janeiro de 2008 – A empresa Estrutural ZORTEA entrega o novo píer flutuante da MMX situada em Porto de Santana, agora composto de 360 toneladas de aço sobre o Rio Amazonas, contendo torres para amostragem e torres para transferência, com peso total de 460 toneladas de estrutura flutuante. As obras de construção desse novo píer começaram em 15 de dezembro de 2007.

05 de agosto de 2008 – A Anglo American paga à mineradora MMX Brasil, do empresário Eike Batista, R$ 5,4 bilhões referentes à compra do controle da IronX, empresq uqe administra os projetos de minério de ferro Minas-Rio e Sistema Amapá (contendo a ferrovia Santana-Serra do Navio e o Porto de embarque de minérios em Santana). O acordo entre a Anglo American e a MMX já havia sido anunciado em janeiro do mesmo ano, mas o valor final do negócio não havia sido divulgado.

06 de outubro de 2008 – O Tribunal Regional Federal (TRF) determina a entrega dos bens da empresa ICOMI, que explorou o minério de manganês no Amapá, à União. Os bens estavam de posse temporária do Estado, que contavam com imóveis, a ferrovia Santana-Serra do Navio, o Porto Flutuante de Santana, e a Linha de Transmissão da Hidrelétrica “Coaracy Nunes” até o município de Serra do Navio.
A decisão foi tomada pela 5ª Turma do TRF, aguardando apenas que a Procuradoria da União tomasse cumprimento da sentença. De acordo com o procurador-chefe da União no Amapá, Michel Amazonas Cotta, a sentença não era definitiva, mas também não era suspensiva.
Na mesma decisão, a Justiça Federal também recomendou que a concessão da ferrovia que estava ganha pela empresa MMM Brasil fosse suspensa devido a citada sentença.

16 de outubro de 2008 – A Procuradoria da União no Amapá (PU/AP) conseguiu, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), reverter em favor da União os bens deixados pela empresa ICOMI que explorou minério de manganês no Amapá durante 50 anos. A decisão estava sujeita a novos recursos. A lista de bens era: porto privativo de Santana, estação de distribuição de energia elétrica, ferrovia em funcionamento, e bens imóveis (casas).
A PU/AP interviu no conflito entre o Estado do Amapá e a ICOMI que estavam brigando por tais bens desde 1999, onde a mineradora alegava que seu contrato de concessão de exploração de manganês acabou em 2003, e aguardava por uma decisão na transição patrimonial, pois, segundo a Lei Complementar n.º 041/81, para o Estado do Amapá são devidos apenas os bens necessários ao funcionamento da máquina administrativa, sendo que os demais bens devem ira para a União, conforme expresso no contrato firmado em 1947.

20 de março de 2009 – Ocorre no plenário da Câmara de Vereadores de Santana, a instalação da Câmara de Conciliação criada no âmbito da Advocacia Geral da União (AGU) para buscar entendimentos acerca dos bens deixados pela ICOMI no Amapá. O objetivo é solucionar administrativamente entendimentos jurídicos diferentes entre a União, o Governo do Estado e os municípios de Santana e Serra do Navio.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) já havia decidido em outubro de 2008, que os bens deixados pela ICOMI são de propriedade da União, mas o Governo do Amapá não aceitava a decisão e com isso criou a referida Câmara de Conciliação. Os bens deixados são a ferrovia, o porto fluvial, a linha de energia elétrica e alguns imóveis no município de Serra do Navio.

20 de outubro de 2009 – A polêmica em torno de quem assumiria a titularidade domínio da ferrovia do Amapá e do Terminal Portuário Privativo de Santana chega a um acordo. O documento é lavrado e assinado na Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal.
Pelo acordo, o Estado do Amapá reconhece que é da União o domínio direto sobre o imóvel onde está instalado o Terminal Portuário de Santana e às instalações portuárias e acessórias, além da outorga de transferência para a Anglo Ferrous Brazil. Mas a mineradora se compromete em permitir, até que se encontre uma solução definitiva, o acesso de mineradoras cujas cargas sejam compatíveis com a estrutura existente do Porto.

28 de março de 2013 Seis pessoas desaparecem nas primeiras horas deste dia devido um acidente no píer flutuante do Porto de Santana, no Rio Amazonas, a 20km de Macapá (AP). As buscas pelos desaparecidos são logo realizadas por soldados do Corpo de Bombeiros, sendo que 03 trabalhadores são da empresa Anglo e outros são terceirizados. De acordo com a empresa Anglo American, o acidente causou a perda de equipamentos como caminhões e guindastes, que foram "tragados pelo rio".