Possuindo um incomensurável acervo de informações históricas, passando de 11 mil assuntos (entre eles, mais de 300 dados biográficos de pioneiros santanenses e mais de 500 fotos históricas que registram o crescimento demográfico e social da cidade portuária do Amapá).



segunda-feira, 2 de julho de 2012

1955: Avanços na construção da Estrada de Ferro do Amapá


1955 - Aspecto das adiantadas obras de assentamento dos trilhos na histórica ferrovia que liga Santana-Serra do Navio, sendo erguida por operários da ICOMI.



Quando ficou constatado que o minério de manganês encontrado pelo regatão Mário Cruz – em meados da década de 1940 durante uma de suas inúmeras viagens pelo rio Amaparí –, houve uma grande pressão das autoridades majoritárias da Nação com relação dos objetivos a serem logo tomados para sua exploração.

Na mesma década foi realizada uma histórica concorrência pública que favoreceu a empresa Indústria e Comércio de Minérios Ltda (ICOMI) em explorar o referido pelo período de 50 anos ininterruptos. No contrato assinado em 04 de dezembro de 1947, ficou descrito na 13ª Cláusula (no Capítulo II) que a empresa arrematadora das jazidas daria igualdade de condições com qualquer tipo de transporte, porém, preferiu pela construção de uma via férrea, sob a influência de que a mineradora teria sobre o progresso na região.

Passado todos os estudos e levantamentos técnicos que apontavam as condições geográficas entre as minas manganíferas e o futuro Porto de Embarque (que totalizaria uma distancia de quase 200km em linha reta), foram buscado procedimentos para sua execução que também dependeria de uma concessão do Governo Federal, que acabou sendo concedido através de um acordo feito somente em 28 de março de 1953.

Com todos os tramites formalizados, as obras de terraplanagem iniciaram em meados de 1954, no sentido Rio Amazonas-Serra do Navio. Em paralelo, um grupo de trabalhadores prosseguiu levantando barracos de compensados com telhas de zinco para ali funcionarem alguns setores técnicos da ICOMI.

Mas a grande empreitada dos serviços começaria em 1955, quando o canteiro de obras do futuro Porto de embarque da mineradora passaria a receber renomados projetistas e importantes navios, tanto estrangeiros como nacionais. Uma dessas primeiras visitas ocorreu em 30 de março (de 1955), quando o cargueiro norte-americano Mormacswan, da empresa Moore Mc Cormack, atracou em Porto de Santana, trazendo mais de 1.500 toneladas de material destinado à construção da ferrovia. Considerado o primeiro transatlântico a ancorar no “pier” de Santana, também trouxe 03 modernas locomotivas adquiridas pela ICOMI nos Estados Unidos.

Segundo o ex-soldador de ferramentas da ICOMI, Raimundo Antônio de Souza, hoje com 79 anos, as primeiras estruturas para montagem da ferrovia eram adquiridas por etapa pela mineradora. “Depois que começaram os serviços de terraplanagem da estrada por onde passaria os trilhos, tivemos que esperar por mais de dois meses para chegar as primeiras peças de montagem, que vinham sendo trazido em navios do Japão, Estados Unidos e até da Alemanha”, relembra seu Raimundo, que exerceu tal função na ICOMI no período de 1954 a 1979, seguindo depois para o quadro de servidores do extinto Território Federal do Amapá, onde se aposentou em 1992. “Quando chegaram as primeiras vigas, tivemos ainda que selecionar as peças mais resistentes para ficarem fincadas no Porto de embarque e as menos volumosas se tornaram a linha de acesso da ferrovia”, detalhou.

Um dos coordenadores que supervisionava diariamente os serviços de colocação das vigas era o engenheiro ferroviário Ralph Medellín (falecido em 2008), que chegava a ficar até dois dias “embrenhados” nas matas, buscando certeza que os trabalhos estavam realmente sendo executados de acordo com as projeções da empresa. “Os operários tinham que seguir uma ordem de serviço que demarcava em detalhes construção da ferrovia, que saía do ponto de partida (Porto de Santana) e alcançava as minas de manganês. Tinha locais tão difíceis de percorrer para abrir a ferrovia (referente a rios e lagos) que ficávamos até dois dias lançando aterro ou levantando uma ponte para chegarmos do outro lado e continuar o percurso de construção da ferrovia”, comentou Ralph, numa entrevista concedida a este blogueiro em fevereiro de 2004.

Ralph Medellín era venezuelano, radicado nos Estados Unidos (EUA) desde a década de 1940 e seguiu para o Brasil a convite da ICOMI com objetivo exclusivo de trabalhar na montagem da Estrada de Ferro do Amapá e do Porto de embarque de minérios de Santana, tornando-se um dos homens de confiança do Engenheiro Augusto Trajano Antunes durante o período de implantação e funcionamento da ICOMI no Amapá (de 1948 até 2003). Ainda abriu uma empresa terceirizada (Medellín Construções) que ficou prestando serviços na área interna do Porto de Santana durante o processo de repasse dos bens patrimoniais da mineradora para o Poder Executivo do Estado, mas acabou fechando após seu falecimento em novembro de 2008, vítima de insuficiência pulmonar.

O que mais aconteceu em 1955 – Acompanhando as obras de instalação do projeto ICOMI no Território Federal do Amapá, houve inúmeras visitas de autoridades nacionais, civis e até acadêmicas, assim como outros fatos historicamente marcados na localidade, que foram:

- Em 22 de junho, o Navio Hidrográfico (NHI) “Rio Branco”, vindo diretamente do Rio de Janeiro (RJ), se fazia pioneiro na utilização de novos equipamentos, ao empregar o “raydist”, adquirido para vencer os desafios de efetuar os serviços de balizamento do Canal Norte do Rio do Amazonas, a pedidos do Governo Federal;

- Em 16 de setembro, o Presidente da República Café Filho sanciona o Decreto nº 37.906, declarando de utilidade pública, para efeito de desapropriação pela ICOMI, as áreas de terras e respectivas benfeitorias compreendidas em uma faixa de terreno com largura de 60m por 49.602m de extensão. (Diário Oficial da União, de 08/10/1955);

- Em 25 de setembro, é fundado o “Santana Esporte Clube”, por iniciativa de um grupo de funcionários da ICOMI, do setor operário, influenciados por Antônio Trevisani, que foi eleito o primeiro presidente desta agremiação esportiva;

- Em 15 de outubro, uma caravana composta de 06 jornalistas cariocas, visitam o canteiro de obras do Porto de Santana, e ficam impressionados com os trabalhos que vem sendo realizados, tanto pela administração amapaense como pela ICOMI;

- Em 25 de novembro, chegava ao Porto Platon (alojamento da ICOMI), no km 120, a primeira locomotiva a ser empregada no transporte do minério de manganês para o Porto de Santana.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Registros Inicias do Futebol Santanense


Oficialmente, o Santana Clube (foto) seria na verdade a segunda entidade futebolística a surgir no município, seguida do Porto Esporte Clube, que durou pouco mais de três anos.

Com a instalação da Indústria e Comércio de Minérios Ltda (ICOMI), no final da década de 1940, objetivando explorar e exportar o minério de manganês situação na região de Serra do Navio, a pequena vila situada em frente à Ilha de Santana começaria a expandir-se aceleradamente, dando início a um povoado que levaria o nome daquela ilha. 

Na carência de entretenimento e outros fatores na diversão, não demorou a se formarem as primeiras agremiações esportivas na região que entrassem para a história santanense. 

Entre os primórdios do esporte local, registra-se em alguns documentos da extinta Prelazia de Macapá (hoje Diocese de Macapá), que havia no Orfanato “São José”, erguido na Ilha de Santana, um time de garotos, comandados pelo Padre Simão Corridori, que jogavam futebol contra os times infanto-juvenis das ilhas circunvizinhas. Porém, nada foi registrado oficialmente sobre a criação de uma entidade esportiva vinculada à esses garotos órfãos. 

No entanto, existiu uma agremiação esportiva que marcaria a história do futebol santanense, que, mesmo em pouco tempo de existência, deixou um importante registro para as gerações futuras do nosso esporte. Refiro-me ao Porto Esporte Clube. 

Fundado em 02 de abril de 1950, seu primeiro presidente foi João de Souza Madeira. Historicamente, é considerada a primeira agremiação desportiva do futebol santanense, vindo a ser formada por trabalhadores lotados na Serraria do Sr. José Antônio Contreiras (que estava situada na Ilha de Santana) e alguns operarios que estavam responsáveis pela montagem do futuro porto de embarque de minérios da ICOMI. 

O objetivo que levou à constituição desse clube estava bastante ligado aos horários de folgas que os referidos trabalhadores possuíam, na qual aproveitavam para dividir entre a família e uma partida de futebol, disputada entre os serralheiros do Sr. Antônio Contreiras e os operários contratados da ICOMI para montagem do Porto Industrial de Santana. A ideia de unificar os dois rivais partiu do eletricista José Carlos dos Santos, que trabalhava na construção do cais da ICOMI e notou a importância que teria se as duas vilas (Ilha de Santana e Porto de Santana) formassem apenas um time de futebol. 

Em dezembro de 1950, o então Governador do Território do Amapá Capitão Janary Nunes fez uma ligeira visita ao canteiro de obras do Porto de Santana e pôde conhecer o recém-criado Porto Esporte Clube (PEC), na ocasião em que inaugurava um alojamento e um refeitório para os trabalhadores da ICOMI. No início de 1951, o PEC participou de seu primeiro jogo oficial contra o Esporte Clube Macapá, mas acabou perdendo por 2 a 1. Jogavam pelo PEC: ZÉ Boquinha, Augusto, Madureira, Vicente, Romão, Lemos, Rato e Preto. 

Não se tem muitas informações sobre a existência desse clube, mas sabe-se que em fevereiro de 1952 jogou no Campeonato Amapaense de Futebol, mas não se classificou para a Segunda Rodada devido baixos pontos de marcação. 

Os últimos dados históricos registram que o PEC deixou de existir em 1953, logo após o início da construção oficial da estrada de ferro ligando as minas de manganês ao Porto de Santana, o que centralizou a atenção total dos trabalhadores da ICOMI para esta etapa das obras do cais de embarque. Somente dois anos depois, que viria a surgir uma nova entidade esportiva na região, que seria o Santana Esporte Clube, fundado em 25 de setembro de 1955.

A Esquecida Biblioteca Pública de Santana


Entregue à comunidade estudantil de Santana em 28.02.2000, a atual situação da Biblioteca Pública Municipal (foto) não se compara aos esforços feito por populares no passado e hoje vista pelo descaso do Poder Público.


A história do sistema bibliotecário de Santana teve início ainda no final da década de 1950, quando a empresa Indústria e Comércio de Minérios Ltda. (ICOMI) implantou suas duas primeiras escolas de ensino fundamental na vila de Serra do Navio e na Vila Amazonas (Santana). Em cada instituição, havia uma pequena biblioteca contendo cerca de 200 volumes que variavam entre História Contemporânea e Moderna e História do Brasil. Alguns livros também citavam obras de grandes literários e escritores da época como Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Graciliano Ramos. A maior parte desse acervo de pesquisas foi adquirido pelo escritório central da empresa de mineração (a ICOMI) em Belo Horizonte (MG), que ali realizou um “mutirão” para angariar tais livros entres seus funcionários e colaboradores. 

Em paralelo, na pequena vila operária – que depois se tornaria a famosa “Vila Dr.Maia” – também havia um humilde educandário que funcionava em anexo com a Igreja Nossa Senhora de Fátima e Sant’anna, que possuía apenas duas salas de aula, sem qualquer outra infraestrutura para sequer manter um espaço para reunir o corpo docente (que na verdade tratava-se de uma professora cedida pela Prefeitura de Macapá, auxiliado pelo pároco da Igreja local, Padre Ângelo Biraghi), ou para o lazer de quem estudava naquele local, diferente das instalações da Escola da Vila Amazonas (Esvam), que além de ter uma pequena sala para pesquisas, também tinha extensos corredores (cobertos) e uma área de recreação. 

Na década seguinte, o acervo de informações sobre Santana ganharia força com o lançamento da revista mensal “ICOMI Notícias” em janeiro de 1964, que reportava inúmeros fatos que ocorriam na empresa em relação ao setor administrativo, operacional, cultural e educacional, assim como também ilustrava com belíssimas fotos das paisagens envolta da pequena cidade portuária que se formava nas imediações da mineradora ICOMI. Durante seu período de circulação (que durou cinco anos ininterruptos), o informativo publicou fatos marcantes que entraram para os primórdios santanenses, como os primeiros passos para a implantação da empresa Brumasa (fábrica de compensados) a partir de 1965, a instalação de energia elétrica na Vila Dr. Maia e acompanhou o andamento para construção do Ginásio Municipal de Santana. 

No entanto, a necessidade maior de uma biblioteca pública em Santana começou a ter persistência na década de 1970, quando um grupo formado por professores das escolas Augusto Antunes e Amazonas estiveram presentes numa reunião com o então Governador do Amapá Capitão Arthur Henning (isso por volta de 1977) para proporem a instalação de um núcleo bibliotecário na Vila Dr. Maia com intuito de ajudar os estudantes que tinham o cansaço objetivo de deslocarem-se da vila de Santana a capital para buscarem fontes de pesquisa em seus trabalhos escolares. 

A tentativa dos professores não foi totalmente em vão, pois, o Governo Territorial contribuiu macicamente, doando cerca de 500 volumes de pesquisa para a biblioteca da Escola Augusto Antunes, que ficou sendo a principal referencia dos estudantes santanenses com relação à pesquisas escolares e correlatos. Em 1985, a pedidos da referida Escola, a Secretaria de Educação ampliou a sala de pesquisas e concedeu mais 140 livros, entre cartilhas infantis e enciclopédias. 

Quando Santana foi transformado em município amapaense em dezembro de 1987, a necessidade aumentou a partir do ano seguinte, quando um abaixo-assinado contendo cerca de 1.100 assinaturas de estudantes e professores foi enviada para o Palácio do Setentrião, onde descreviam no documento, a incansável persistência de uma entidade de pesquisa para o mais novo município do Amapá. 

Porém, os primeiros passos positivos aconteceu em 14 de abril de 1989, quando a Câmara de Vereadores de Santana aprovou o Projeto de Lei n.º 011/89, de autoria do vereador Diogo Ramalho, criando a Biblioteca Municipal de Santana. 

Em 1991, seu projeto de execução começaria a ser traçado quando o Ministério da Cultura enviou cerca de cinco mil livros (entre didáticos e coleções) para a Prefeitura de Santana, enquanto que o prédio para funcionar a futura Biblioteca pública de Santana estava sendo erguido em um terreno situado no cruzamento da Rua Ubaldo Figueira com a Avenida Antônio Nunes. Mas devido a carência de maiores recursos, a obra deu por ser paralisada ainda no início da administração do prefeito Geovani Borges (1993-1996). 

Acreditando que o Poder público Estadual assumiria a responsabilidade de concluir o futuro espaço, ainda houve a aprovação de uma Lei Municipal (092/92-PMS) que permitiu que a Prefeitura de Santana doasse ao Governo Estadual todo o acervo físico e cultural da instituição, esperando que fosse estruturada de maneira técnica e administrativa. Mais a tal atitude foi contrariada durante todo o ano de 1993 pela maioria dos vereadores da 2ª legislatura, que alegaram total descaso e intolerância por parte do Poder Estadual que se encontrava em desavenças político-partidárias com o Executivo Municipal, deixando até mesmo o Governo do Estado sem ação para agir em outras obras e programas sociais no município. 

Em março de 1994, o prefeito santanense Geovani Borges, com apoio de seu irmão (então) deputado federal Gilvam Borges esteve inúmeras vezes reunido na Capital Federal (Brasília-DF), buscando recursos viáveis para o andamento da referida obra, que ainda teve uma ligeira continuidade, mas novamente foi embargada ainda durante o levantamento dos alicerces laterais, somente retomando às obras em outubro de 1997, já na administração do prefeito Judas Tadeu Medeiros, que após retornar de Brasília (DF) conseguiu recursos federais para continuar com tal projeto cultural. 

Passado algum tempo, já por volta de junho de 1998, uma campanha coordenada por algumas escolas do Ensino Médio de Santana (entre elas, Barroso Tostes e Augusto Antunes), arrecadam cerca de 4 mil livros – entre revistas e jornais – que foram doados por pessoas anônimas e empresas instaladas no município, como a AMCEL, ICOMI, Frimap, Fundação de Assistência Social do Amapá e outras. 

A Conquista – Após uma emenda parlamentar apresentada no Senado Federal (DF) pelo então Senador amapaense Sebastião Rocha (PDT), foi possível que a Prefeitura de Santana procedesse as obras de construção do prédio da Biblioteca Municipal da cidade, na qual havia somente alguns alicerces e pilares já levantados. 

Depois de algumas ligeiras paralisações, a obra foi finalmente concluída e solenemente inaugurada em 28 de fevereiro de 2000, denominada como “Biblioteca Pública Municipal de Santana”, contendo um acervo inicial de quase oito mil obras de pesquisas, retratando informações do período da Idade Média aos dias mais recentes, revistas didáticas e até fontes para nível superior. 

Através da Lei Estadual n.º 0533 de 23 de maio de 2000, o Governo Estadual ficou autorizado a equipar a Biblioteca Pública de Santana, contribuindo com a doação de móveis, ar-condicionado, sistema telefônico e tudo que fosse necessário para seu bom funcionamento. 

Em 05 de julho desse mesmo ano (2000), a empresa Amapá Celulose e Papel Ltda (Amcel) fez a doação de um acervo contendo 512 títulos para a referida Biblioteca, como parte do “Projeto Bibliotecas”, numa solenidade que contou com a presença de autoridades políticas e sociais de Santana. 

Sua estrutura – Situado numa área de quase 2.000m², o prédio da Biblioteca divide o espaço com o Núcleo de Produção Artesanal (que foi inaugurado em 2001), onde produtos fabricados manualmente (sob efeito de artesanato) são comercializados. Neles estão produções como cestas enfeitadas, bolsas, miniaturas de embarcações marítimas (barcos). 

O complexo bibliotecário também possui um auditório contendo cerca de 250 lugares, onde ali esteve funcionando um cinema popular (no período de 2001-2002), onde foram exibidos grandes produções cinematográficas como “Harry Potter” e “Senhor dos Anéis”. 

Em 30 de março de 2006, a estrutura da biblioteca passou por uma ampla adaptação, passando a acolher um projeto cultural desenvolvido diretamente pelo Ministério da Cultura, denominado "Casa Brasil", que ficou funcionando gradativamente até meados de 2009, quando o auditório teve que ser desativado para passar por pequenos reparos. 

A falta de atenção do Poder Municipal levou a instituição a fechar suas portas para reformas físicas por tempo indeterminado. Houve uma tentativa de reabrir a Biblioteca Pública de Santana, em junho de 2010, agora sob a direção da professora Elizia Almeida, que na época ainda conseguiu efetuar um levantamento do material existente no local e apurou ainda haver pouco mais de 1.500 registros (entre enciclopédias, cartilhas didáticas e livros de ensino superior). Por determinação da Secretaria Municipal de Educação, que respondia pela sua coordenação, a Biblioteca santanense foi novamente fechada, dessa vez sem previsão de reativação. 

Em recente visita realizada nas instalações do prédio da nossa Biblioteca (em maio de 2012), pude constatar pessoalmente a lamentável situação que sua estrutura vem sofrendo pelo descaso público: janelas quebradas, paredes deterioradas, infiltrações pelos telhados e não havendo sequer corpo administrativo para dirigir a entidade, que agora encontra-se fechada para o público estudantil que tanto lutou pela aquisição de um espaço dedicado à pesquisa e leitura dos amantes dessa parte da nossa cultura.

domingo, 27 de maio de 2012

14 anos sem Lemos Coiê


Capa do primeiro CD do cantor Lemos Coiê (1953-1998), lançado em 1997. O cantor faleceu prematuramente, no algo de sua carreira regional.

Um ataque cardíaco fulminante, na madrugada daquele dia 30 de maio de 1998, calaria pra sempre um dos cantores regionais mais prestigiados na música amapaense daquela época. Era Lemos Coiê, popularmente conhecido o “Ídolo Negro Serrano”. Seu seria sepultado na manhã do dia seguinte (31), no Cemitério Municipal de Santana, sendo levado por centenas de admirados e amigos que o conheciam há décadas, muitas destas amizades construídas no Amapá desde meados da década de 1970 quando aqui chegou para trabalhar na Indústria e Comércio de Minérios Ltda (ICOMI). 

Desde criança, Lemos Coiê já despertava o interesse pela música. Com seu violão reunia com os amigos para cantarem juntos as músicas que faziam sucesso. 

Ingressou na mineradora ICOMI em 1976, onde trabalhou como operário e detonador de minas. Seu sonho era de gravar um disco com músicas de sua própria autoria, o que tentou por diversas vezes sem alcançar seu objetivo. De família humilde, o sonho ficava cada vez mais distante. Continuou trabalhando na ICOMI e procurava economizar para a realização de seu sonho. 

Até que o dia chegou. Com sua indenização trabalhista, Lemos viu possível a realização de seu ideal, e lançou seu primeiro CD, denominado “O Trem Partiu”, que ficaria registrado para sempre na memória de todos. 

Diante do sucesso desse primeiro CD, receberia o carinhoso apelido de “Ídolo Negro Serrano” de outros artistas regionais. Logo comprometeu-se nos planos de seu segundo trabalho, porém, esbarrou na burocracia do mundo empresarial que dificultou o máximo para que o seu segundo trabalho fosse concretizado. 

Entretanto, Lemos iniciou os trabalhos e já possuía em mãos uma fita K-7 com as músicas que compôs para o novo CD, entre elas, havia uma música dedicada à saudosa Princesa Diana (falecida em agosto de 1997). 

Porém, seu trabalho em busca de patrocínios seria fatalmente interrompido na noite da sexta-feira, 29, quando o artista sentiu as primeiras dores no peito. Como encontrava-se hospedado na casa de familiares, na Vila Amazonas, chegou a ser encaminhado imediatamente para o Hospital de Santana, onde veio a falecer na madrugada de sábado seguinte, dia 30 de maio. 

Durante seu enterro, o público presente que lamentava a perda deste grande nome para a história da música amapaense, cantaria a música que o lançou no campo artístico (“O Trem Partiu”), que aqui descrevo um trecho aos meus leitores: 

“Lá vai o trem
Deu sete horas
Da manhã
E já partiu
Vem de Santana
Para Serra do Navio
Ele vem dizendo
Café com pão,
Café com pão,
Bolacha não, ...”

Balizamento do Canal Norte do Rio Amazonas


Registro do Navio Hidrográfico (NHI) "Rio Branco" em frente da cidade de Macapá, em 1952, por ocasião dos trabalhos de balizamento do Rio Amazonas.


Com o advento da Indústria e Comércio de Minérios Ltda (ICOMI) o então Território Federal do Amapá, através de suas primeiras pesquisas minerais, ainda em meados da década de 1940, ante ao vulto de seu projeto industrial para a dinamização das reservas de manganês de Serra do Navio, pouco valeria à exploração das jazidas manganíferas, se o minério não pudesse chegar a volumes consideráveis aos mercados internacionais.  

Por outro lado, como desenvolver a industrialização na região se o grande Rio ficasse inacessível aos grandes navios e cargueiros, de maior calado, não apenas para o Porto de Santana (AP), mas também para outros portos brasileiros que estariam situados em pontos estratégicos com o Oceano Atlântico.  

Foi dentro de tais razões geográficas, que levou a Marinha de Guerra do Brasil, através de sua Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) a decidir pela imediata realização do levantamento hidrográfico do Canal Norte do Rio Amazonas e o seu balizamento. 

Em novembro de 1951, numa operação conjunta do Governo do Território Federal do Amapá (GTFA) e a ICOMI, ambos solicitaram ao Ministério da Marinha, em ofício direcionado ao DHN, as primeiras providências técnicas para que fosse efetuado o referido levantamento do Canal Norte do maior rio fluvial do mundo. 

Atendendo tal pedido, na manhã do dia 23 de junho de 1952, aportava em frente da cidade de Macapá, o Navio Hidrográfico (NHI) “Rio Branco”, com os componentes da 1ª Comissão do Amapá, comandado pelo Capitão-tenente Maximiano da Silva, Fonseca, que logo deu início aos chamados trabalhos de campo. 

Inicialmente efetuaram o que o serviço náutico denomina de “medição de base”, utilizando o Aeroporto de Macapá. Posteriormente, mediante a sistemática hidrográfica habitual, passaram a efetuar a metodologia de operação de triangulação, que, por falta de pontos notáveis (o terreno ser aspecto topográfico uniforme), tiveram que aproveitar as árvores mais altas do local, transformando-as em o que classificaram de “torres”, que variavam entre 06 a 08 metros de altura. 

Durante alguns meses, com auxílio de lanchas e ubás cedidas pela ICOMI e pelo GTFA, foram efetuadas as demarcações náuticas (entre a cidade Macapá e a localidade de “Pau Cavado”), considerados como pontos marginais do Rio Amazonas, para ali serem instalados os faróis de balizamento. A equipe do NHI “Rio Branco” enfrentou toda a sorte de empecilhos que a região lhe reservara, parecia que tudo contribuía para que se tornasse cada vez mais difícil o cumprimento dessa missão de balizamento, mas com muita determinação, a equipe concluiu a tarefa em setembro daquele ano, entre a cidade de Macapá e o Arquipélago do Bailique. 

Logo em seguida, a equipe do NHI, com muita persistência e técnica, iniciou as sondagens entre as localidades de Pau Cavado e Mupéua (próximo ao extremo norte da Ilha Caviana). Terminada essa tarefa, efetuaram as sondagens entre a localidade de Mupéua e o Bailique. Daí a equipe retornou para Macapá para concluir as sondagens entre a capital amapaense e a Ilha Pedreira, realizadas novamente pela lanchas e ubás de suas parceiras. 

Em 15 de abril de 1953, a equipe do NHI “Rio Branco” encerrou suas atividades de projeção hidrográfica na região, concluindo a sondagem de todo o braço norte do Rio Amazonas, que ia da cidade de Macapá até o Arquipélago do Bailique, valendo dizer que o referido Canal Norte ainda não estava apto para acesso de navios de grande calado, ainda faltando as sondagens da Barra Norte, ou seja, da região do Bailique para fora, pois, não puderam ser realizados devido à falta de equipamentos em função de inúmeros bancos de rebentações existentes naquela região, ficando tais serviços para serem feitos por uma outra Comissão marítima que seria enviada ao Amapá. 

Em Outubro de 1954 (um ano e meio depois), o NHI “Rio Branco” retorna ao Amapá, dessa vez trazendo uma 2ª Comissão, agora chefiada pelo Comandante Paulo Irineu Roxo Freitas, com a finalidade de concluir os trabalhos de sondagem do Canal e da Barra Norte, conforme acordo firmado entre o GTFA, a ICOMI e o Ministério da Marinha. 

Dispondo agora de equipamentos altamente técnicos e suficientes para a tarefa que iriam desempenhar, a 2ª Comissão começou a missão instalando as réguas de marés nas localidades de Limão do Curuá e na Ilha do Brigue (em Guimarães), onde ali deram início às suas observações. Imediatamente foi levantado um farolete na Ilha do Pará, e, preparada a folha de sondagem do Arquipélago do Bailique. 

Durante dois meses (no primeiro trimestre de 1955), a equipe do NHI paralisou os serviços para que fossem realizados reparos físicos e mecânicos no navio. Ao reiniciar os trabalhos, a equipe, em apenas 03 dias de atividades incessantes, realizou mais de 800 posições de sondagens. Posteriormente, o Ministério da Marinha Brasileira adquiriu nos EUA um aparelho de nome “Raydist”, onde o rendimento da tarefa aumentou consideravelmente. 

O chefe da 2ª Comissão no Amapá, Comandante Paulo Irineu Roxo Freitas, prometera aos parceiros concluir o levantamento hidrográfico do Canal e da Barra Norte até o fim de dezembro de 1955. No entanto, contando com a boa vontade e o alto preparo técnico de sua equipe conseguiu encerrá-lo no dia 02 daquele mês anunciado. 

Foram 14 meses de esforços consecutivos em que mais de duas centenas de homens de nossa valorosa Marinha de Guerra, considerando-se que as duas Comissões lutaram bravamente, mesmo diante das dificuldades detectadas na realização da missão, para que o Canal Norte do Rio Amazonas, de Macapá até o Oceano Atlântico, desse total acesso à livre navegação. 

Após essa execução náutica, os navios procedentes do Hemisfério Norte, em demanda aos portos de Santana (AP), Manaus (AM) e Iquitos (Equador), tiveram um encurtamento na rota marítima, em cerca de 400 milhas, comparando com a antiga rota feita de Belém (PA), através do Canal de Salinas e Bahia de Marajó, em águas de pouca profundidade, o que antes determinava um tráfego de navios de pequeno calado, o que ocasionava um maior consumo de tempo e combustível nas viagens. 

Graças a esse empenho do extinto Governo Territorial do Amapá (a partir de 1951), em parceria com a ICOMI e o Ministério da Marinha, que puderam liberar desde meados de 1956, a navegação de grande calado no Canal Norte do Rio Amazonas, que durante décadas recebeu dezenas de cargueiros e petroleiros nacionais e internacionais, que daqui levaram boas impressões sobre nossos aspectos sociais e principalmente minerais.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Um artigo de Rachel de Queiroz sobre nossa terra

O que é a Icomi? A Icomi é um milagre dentro da região amazônica. Duas pequenas cidades que parecem o sonho de um urbanista lírico. Duzentos quilômetros de estrada de ferro. Um porto onde encostam transatlânticos. Nas cidades há escolas, hospital moderno, supermercado, clube, piscina e cinema. As casas dos operários são tão boas e bonitas que a gente fica pensando com melancolia naqueles arruados, tipo vila de conferência vicentina, que se constroem no Rio para abrigar favelados. Água, esgotos, telefones e o que mais é preciso para garantir o conforto moderno naquelas duas ilhas abertas no meio da mata. Você anda meio quilômetro para lá da Serra do Navio e já está dentro da floresta onde, quinze anos atrás, só tinha onça e algum bugre. E doença braba na água parada dos igapós. E quem paga tudo isso é a mina. 

Vejam Brasília. O que horroriza a gente, em Brasília, é pensar que aquele milagre urbanístico, a cidade que brotou de repente dentro do agreste e deserto planalto goiano, é um luxo de povo rico imposto a nossa pobreza. Cada belo palácio de Brasília é um açude a menos, uma estrada a menos, um hospital que não se fez. 

Já as duas cidades que nasceram na Serra do Navio e em Santana não custaram nada ao Brasil. Ao contrário, criam riqueza, não só para o local, como para o Território e o País. Se alguém quiser estranhar os excessos de conforto, o custo do hospital, as faturas do supermercado, a beleza californiana das piscinas, fique sabendo que tudo que se gasta ali é dali. Tudo é deles. Tudo sai do manganês. Tudo é tirado debaixo do chão, explorado como deve ser e transformado em progresso e riqueza. 

E note-se: por lá não andam americanos. Não há mais nenhum, um só, um único, em todos os campos de trabalho da Icomi. Não que fosse algum mal haver em qualquer lugar americanos, ingleses, judeus, japoneses, himalaios ou qualquer outro alienígena. No Brasil, como em toda terra no Novo Mundo, estrangeiro útil é leal e patrício. Mas acontece que não há. Os pruridos nacionalistas mais ferozes podem se acalmar: aquilo tudo é trabalho da terra. Dos engenheiros aos operários menos qualificados, tudo é brasileiro. Houve americanos na fase da construção da estrada, que foram embora quando o contrato expirou. A construção das cidades já foi feita por arquitetos nativos – e aliás são uma beleza, encantadoras e funcionais. Agora só se vê catarinense, mineiro, paulista, gaúcho, nordestino (cearense às pampas), paranaense, baiano, junto com o povo da terra, numa verdadeira amostragem da população brasileira. 

E também podem sossegar o coração os que pensam em dinheiro e royalties – os interesses nacionais estão muito bem defendidos pela lei que permitiu a exploração do manganês na Serra do Navio: 51% do capital é brasileiro, 49% e estrangeiro. Mas nesses 2% está a diferença importante, pois que significam o controle da empresa. 

Agora a Icomi se estende no Amapá em novas iniciativas: fazendas-modelo, pequenas fábricas e as promissoras plantações de dendê, em que o povo do Amapá põe grande esperança; progresso cria progresso, cria riqueza. O que a Icomi construiu e constrói é motivo de orgulho. 

NOTA - O texto foi originalmente publicado na revista semanal "O Cruzeiro", de 08 de maio de 1965, após a escritora cearense visita o então Território Federal do Amapá um mês antes, a convite da diretoria da ICOMI.

Nogueira: uma gestão diferente de outras

Filho de Raimundo Calixto de Souza e Horodina Nogueira de Souza, é santanense de nascimento que veio a este mundo em 28 de abril de 1971. casado com Joseneide Silva, tem duas filhas (Bianca e Luana), sendo torcedor do Fluminense e do Independente. Iniciou sua vida política atuando no movimento estudantil, sendo presidente do Grêmio Estudantil Barroso Tostes, na gestão 1989/1990, Vice-Presidente da União dos Estudantes dos Cursos Secundários do Amapá, em 1992 e Presidente do Centro Acadêmico do Curso de Letras da Universidade Federal do Amapá (Unifap), onde se formou em Licenciatura Plena no Curso de Letras, no ano de 1995. Como professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, já atuou nas Escolas Estaduais Joanira Del Castillo, Barroso Tostes, Elizabeth Esteves, São João e Francisco Walcyr Lobato, todas no município de Santana. 

Em 1992, Nogueira candidatou-se a vereador de Santana e surpreendeu com uma expressiva votação, faltando poucos votos para efetivar sua eleição. Nas eleições municipais seguintes, voltou a se candidatar, quando liderou uma campanha jovem e empolgante, conseguindo ser eleito como o primeiro vereador da história do PT de Santana, sendo o 3º mais votado entre os eleitos. No ano de 1998, candidatou-se a Deputado Estadual, obtendo quase 900 votos, sendo diplomado como suplente. 

Vereador Mais Popular – No início de 2000, Nogueira foi reconhecido, nacionalmente, através da Revista ISTOÉ, como o Vereador mais popular de Santana. Em outubro do mesmo ano, foi reeleito vereador como o 2º mais votado no município. Dentre seus projetos, destacamos o que revisou e atualizou a Lei Orgânica do Município de Santana, no qual foi autor e Presidente da Comissão. Além de Câmara Mirim; Criação do Conselho Municipal de Educação; Lei do Incentivo e Financiamento da Cultura; Transparência das solicitações públicas; Instalação da Caixa Econômica Federal em Santana. Foi oposição declarada ao prefeito da época (Rosemiro Rocha). 

Deputado Federal – Em 2002, com mais experiência, e vendo a insatisfação popular com alguns representantes na Câmara Federal, Nogueira lançou-se candidato ao cargo. Muitos debocharam, o taxando de “pretensioso”. A resposta veio nas urnas: Nogueira elegeu-se como o 3º Deputado Federal mais votado. Como Parlamentar Federal instituiu uma prática reconhecida por estudiosos da Administração Pública – a Emenda Participativa – uma prática que discutia todas as emendas parlamentares que tinha direito de apresentar ao Orçamento da União, com a sociedade amapaense. Como experiência pioneira, aplicou a idéia no município de Santana. Foi um sucesso! Resultou em emendas discutidas pela sociedade, resultando na liberação dos recursos e em construção de obras que tiveram a participação popular desde a concepção, passando pela fiscalização até a gestão comunitária delas. A prática foi apresentada em 2005, participando do Prêmio Instituído pela Fundação Getúlio Vargas (RJ) e ficou registrada dentre as 100 melhores experiências públicas do país. 

1º Prefeito Reeleito – Em 2004, Nogueira foi eleito prefeito de Santana, com pouco mais de 22 mil votos, renunciando ao mandato de Deputado Federal em 31 de dezembro de 2004. Em 2008, mesmo tendo como adversários os mais poderosos setores políticos do Estado do Amapá, Nogueira novamente fora eleito, consagrando-se como primeiro prefeito reeleito da história de Santana, com mais de 26 mil votos. Como prefeito, comandou uma experiência de poder popular inédita no Amapá. Apesar de imensas dificuldades, está mudando a cidade, praticando a participação popular, incluindo gente, fazendo obras que preparam Santana para o futuro. A opção de Nogueira, nesses dois mandatos conquistados com garra, está sendo pela transformação social, pela participação de todos, pela inclusão, pela transparência. 

Prefeito Empreendedor – Em 2008, com o Projeto “Fábrica de Projetos Empreendedores” que envolveu Incentivos Fiscais para a instalação de empreendimentos no município, a reativação com reforma e ampliação do Mercado Municipal e a construção de um novo Corredor Comercial (Via Modelo Salvador Diniz) em Santana, Nogueira foi eleito pela SEBRAE como Prefeito Empreendedor do Estado do Amapá, constituindo-se como primeiro Prefeito a conquistar esse Prêmio no município de Santana. 

Compromissos com Santana – Nogueira lembra que sua eleição e reeleição foram pautadas em 13 compromissos, que faz questão de relacioná-los: Melhoria física e estética da cidade (urbanização, mais espaços públicos, dinamização destes espaços, etc); Criação do Banco do Povo; implantação e consolidação do Programa Saúde da Família; criação de programas para garantir uniformes escolares, transporte gratuito e merenda de qualidade além de ampliar vagas; Criação de uma política de geração de emprego através de fomento do Banco do Povo, Meu Primeiro Emprego e frentes de trabalho; Criação e Implantação da Guarda Municipal; Políticas para a Juventude através de programas para o primeiro emprego, oficinas profissionalizantes de cultura, de esportes e de lazer; Criação e Implantação do Orçamento Participativo; Incentivo às atividades culturais locais e de intercâmbio cultural entre municípios; Implementação e consolidação de políticas de esporte e lazer garantindo infra-estrutura para suas práticas; Transparências das contas públicas (ação que permearia todas as atividades da gestão municipal); Incentivo aos pequenos e médios produtores rurais para implementação de cooperativas e associações para construção de pequenas agroindústrias e distribuição de sua produção; Criação de programas de valorização dos servidores públicos com atualização profissional, melhoria e estabilidade salarial, concurso público e modernização das atividades administrativas. 

Grande parte dessa “utopia”, como diz o próprio prefeito Nogueira, vem sendo realizada. Uma outra parte ele pretende realizar até o final de seu atual mandato. “Governar não é fácil, aliás, é uma das mais difíceis tarefas. Governar é diferente de administrar. Para administrar existem funcionários públicos concursados, para governar fomos eleitos com um programa (a nossa utopia), governar é imprimir uma direção política à administração pública e é isso que procuramos realizar”, finaliza.